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Teerão e Washington retomaram as negociações pela primeira vez desde os bombardeamentos americanos a instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada em junho
O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros declarou esta terça-feira que o Irão e os Estados Unidos chegaram a um entendimento sobre "um conjunto de princípios orientadores" que podem abrir caminho a um acordo, no decurso das negociações na Suíça.
"Chegámos a um amplo acordo sobre um conjunto de princípios orientadores, na base dos quais avançaremos e começaremos a trabalhar num texto de um potencial acordo", declarou Abbas Araghchi à televisão estatal iraniana, classificando a nova sessão de negociações como "mais construtiva" do que a que decorreu a 06 de fevereiro em Omã.
Teerão e Washington retomaram as negociações pela primeira vez desde os bombardeamentos americanos a instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelita contra o Irão.
"Isso não significa que possamos chegar rapidamente a um acordo", alertou o ministro, admitindo que "será necessário tempo para reduzir" as distâncias entre as posições dos dois países.
"Foi decidido que as duas partes continuarão os seus trabalhos nos projetos de redação", sendo depois anunciada uma data para uma terceira sessão", acrescentou.
Abbas Araghci, falando em Genebra, congratulou-se por "uma nova janela de oportunidade" se ter aberto para uma solução diplomática para as tensões com os Estados Unidos.
"Esperamos que as negociações conduzam a uma solução negociada e duradoura que sirva os interesses das partes e da região no seu todo", acrescentou, durante uma conferência da ONU sobre o desarmamento.
Nessa conferência, o ministro adiantou ainda que o Irão vai trabalhar com o Organismo Internacional de Energia Atómica (OIEA) num acordo integral de salvaguardas para a inspeção das instalações nucleares que foram atacadas pelos Estados Unidos em junho passado.
"Essas instalações requerem um acordo mútuo entre o Irão e a OEIA. Isso é algo quem que estamos a trabalhar", disse Araghci, pouco depois de em Genebra ter estado em negociações indiretas com os Estados Unidos sobre o seu programa nuclear.
As negociações de hoje ficaram marcadas por alguma tensão, com o o guia supremo iraniano a advertir que o porta-aviões norte-americano presente no Golfo, o USS Abraham Lincoln, poderá ser afundado, tendo o ayatollah Ali Khamenei proferido um discurso virulento, garantindo que a América jamais conseguirá destruir a República Islâmica.
O porta-aviões - que transporta cerca de 80 aeronaves - e os navios de escolta encontram-se atualmente a cerca de 700 quilómetros da costa iraniana. Um segundo, o Gerald Ford, deverá juntar-se-lhe, em data ainda incerta.
A declaração de Ali Khamenei surge numa altura em que os Guardas da Revolução, o exército ideológico do país, realizam manobras militares, com contornos de demonstração de força, no estreito de Ormuz, ponto de passagem estratégico para o comércio mundial de petróleo.
Por razões de "segurança", durante estes exercícios, o estreito será parcialmente encerrado durante "algumas horas", informou na terça-feira a televisão estatal iraniana.
Os países ocidentais e Israel, aparentemente a única potência nuclear no Médio Oriente, suspeitam que o Irão pretenda dotar-se de arma nuclear. Teerão nega tais ambições, mas insiste no seu "direito inalienável" a desenvolver um setor nuclear civil e a enriquecer urânio, nomeadamente para fins energéticos, em conformidade com as disposições do Tratado de Não Proliferação, de que é signatário.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, multiplicou os avisos após a repressão sangrenta de manifestações massivas em janeiro no Irão, deixando aberta a porta a uma solução diplomática, nomeadamente sobre o programa nuclear iraniano.
Na ausência de acordo, Trump ameaçou sexta-feira o Irão com consequências "traumatizantes" e evocou mesmo abertamente a hipótese de uma mudança de regime.
O Irão pretende limitar as conversações ao seu programa nuclear. Washington, tal como Israel, exige igualmente que Teerão limite o seu programa de mísseis balísticos e que cesse o apoio a grupos armados regionais.
No que respeita ao dossiê nuclear, o Irão declarou-se disposto a um compromisso relativamente às suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilogramas e cujo destino permanece incerto, caso Washington levante as suas medidas punitivas.
