Explosões em Caracas: Venezuela denuncia "gravíssima agressão militar" dos EUA, Maduro decreta estado de exceção

Foto: Luis James/AFP
Nicolas Maduro apela a "todas as forças sociais e políticas do país para ativarem os planos de mobilização"
O Governo da Venezuela denunciou este sábado uma "gravíssima agressão militar" após as explosões que abalaram a capital durante a noite. O Presidente Nicolás Maduro decretou estado de exceção.
"A Venezuela rejeita, repudia e denuncia [...] a gravíssima agressão militar perpetrada pelos [...] Estados Unidos contra o território e a população venezuelanos, em localidades civis e militares de Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, nos arredores de Caracas", refere um comunicado do Governo.
O Presidente Nicolás Maduro decretou o estado de exceção e apelou a "todas as forças sociais e políticas do país para ativarem os planos de mobilização", segundo o comunicado.
O Governo da Venezuela convocou os seus apoiantes a irem para as ruas. "Povo às ruas!", refere-se na declaração.
"O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativarem planos de mobilização e a repudiarem este ataque imperialista", acrescenta.
Caracas anunciou também que irá denunciar nas Nações Unidas a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos no país.
A declaração acrescenta que Maduro ordenou "a implementação de todos os planos de defesa nacional" e declarou "estado de perturbação externa", um plano de emergência que lhe dá o poder de suspender os direitos das pessoas e expandir o papel das forças armadas.
O comunicado surge numa altura em que as forças armadas dos Estados Unidos têm, nos últimos dias, tido como alvo barcos suspeitos de contrabando de drogas. Na sexta-feira, a Venezuela disse estar aberta a negociar um acordo com Washington para combater o tráfico de drogas.
Para já, desconhece-se a existência de vítimas.
A partir de Bogotá, o Presidente colombiano, Gustavo Petro, denunciou já o ataque com mísseis contra Caracas, após as fortes explosões na capital venezuelana, e pediu uma reunião "imediata" da Organização dos Estados Americanos (OEA).
"Alerta Geral, eles atacaram a Venezuela", escreveu o Presidente colombiano, próximo de Maduro, sublinhando que, quer a OEA quer a ONU, "devem pronunciar-se sobre a "legalidade internacional" dessa "agressão" contra o país vizinho.
Também Cuba condenou o "ataque criminoso" dos Estados Unidos e pede uma tomada de posição da comunidade internacional favorável à Venezuela.
"A nossa #ZonaDePaz está a ser brutalmente atacada" pelos Estados Unidos, frisou o Presidente de Cuba, Manuel Díaz-Canal, na conta pessoal na rede social X.
"#Cuba denuncia e exige uma reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos Estados Unidos à Venezuela. A nossa #Zona de Paz está a ser brutalmente atacada. O terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América", acrescentou.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, Bruno Rodríguez, condenou veementemente "a contínua agressão militar dos EUA contra a Venezuela".
"Os bombardeamentos e atos de guerra contra Caracas e outros locais do país são atos cobardes contra uma nação que não atacou os Estados Unidos nem qualquer outro país", afirmou Rodriguez.
Entretanto, a televisão estatal iraniana noticiou as explosões em Caracas e mostrou imagens da capital venezuelana. O Irão mantém uma relação próxima com a Venezuela há anos, em parte devido à sua inimizade comum com os EUA.
Até agora, Rússia e China, aliados da Venezuela, não se pronunciaram.
Entretanto, a Força Aérea dos Estados Unidos emitiu este sábado um aviso oficial que proíbe todas as aeronaves de circular no espaço aéreo da Venezuela, após os ataques na capital do país sul-americano que o Presidente Donald Trump teria ordenado, segundo a CBS.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos proibiu os aviões comerciais norte-americanos de operar a qualquer altitude sobre o espaço aéreo da Venezuela, alegando riscos à segurança decorrentes da atividade militar em curso no país sul-americano.
O aviso, conhecido como NOTAM, entrou em vigor às 02h00 locais deste sábado (06h30 em Lisboa), e terá validade de 23 horas.
No documento, a autoridade aeronáutica norte-americana não especifica quais forças militares estariam envolvidas nas operações que motivaram a restrição.
Segundo a CBS News, Trump ordenou os ataques aéreos dentro do território venezuelano há alguns dias, citando funcionários sob condição de anonimato.
