
Créditos: Justin Tallis/AFP
Tal como o ex-príncipe André, Peter Mandelson é suspeito de "má conduta no exercício de um cargo público"
O ex-ministro e antigo embaixador do Reino Unido dos EUA Peter Mandelson foi detido esta segunda-feira, no âmbito de uma investigação por suspeitas de transferência de informações confidenciais ao financeiro e pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein.
"A polícia deteve um homem de 72 anos por suspeita de má conduta no exercício de funções oficiais", adiantou a polícia num comunicado, sem revelar a identidade do suspeito.
Previamente, a residência de Mandelson foi alvo de buscas. A BBC e a Sky News mostraram imagens de Peter Mandelson, 72 anos, a sair da sua casa no centro de Londres, acompanhado por um homem e uma mulher que o escoltaram até um carro civil.
A investigação está ligada a documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein, que contêm e-mails e documentos financeiros relacionando Mandelson ao gestor de fundos norte-americano condenado por agressão sexual de rapariga menor.
Entre esses documentos, aparecem e-mails que indicariam que Mandelson teria reencaminhado informações confidenciais e potencialmente capazes de influenciar os mercados financeiros ao amigo em 2009, quando era ministro da Economia.
Os documentos também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (64 mil euros), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva.
O antigo político questionou a autenticidade dos extratos e, ao desassociar-se do Partido Trabalhista, afirmou não se lembrar de ter recebido tais valores e negou ter cometido qualquer irregularidade.
Em setembro de 2025, Mandelson foi demitido de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, depois de surgirem provas de que manteve contato com Epstein após a condenação.
O Governo indicou que pretende publicar documentos do processo de recrutamento no início de março.