
Marius Borg Høiby ao lado da mãe, Mette-Marit
Créditos: Lise Åserud/NTB/AFP
O primeiro dia do julgamento de Marius Borg Høiby acontece dois dias depois de ter sido revelado que o nome da mãe aparece pelo menos mil vezes nos ficheiros Epstein. Høiby foi detido no domingo devido a novas acusações de agressão, ameaças com faca e violação de uma ordem de restrição
Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, declarou-se esta terça-feira inocente de quatro acusações de agressão sexual, no primeiro dia de um julgamento que abala a imagem da realeza na Noruega.
O jovem de 29 anos ouviu de pé a leitura do documento com 38 acusações. Caso seja considerado culpado, pode enfrentar uma pena de até dez anos de prisão. Marius Borg Høiby negou, contudo, as quatro acusações de violação entre 2018 e 2024 de que é alvo. E admitiu - total ou parcialmente - as acusações de violência, ameaças, consumo de drogas e outros crimes de tráfico. Em 2020, transportou 3,5 kg de canábis, factos reconhecidos pelo filho da princesa.
No domingo, Høiby foi detido em regime de prisão preventiva por quatro semanas, "devido ao risco de reincidência" por ser alvo de novas suspeitas, que incluem atentado contra a integridade física, ameaças com faca e violação de uma ordem de restrição.
As alegadas violações - uma delas durante um período de férias com o príncipe Haakon nas ilhas Lofoten em 2023 - ocorreram em contexto noturno com consumo de bebidas alcoólicas, quando as vítimas não estariam em condições de se defender, segundo a acusação.
"Se Marius se declara não culpado (...), é simplesmente por considerar o conjunto dos factos como relações sexuais normais e consentidas", argumentou a defesa.
Uma das alegadas vítimas prestou um depoimento sobre uma festa ocorrida em 2018 no castelo de Skaugum, nos arredores de Oslo, em que Marius Borg Høiby a terá forçado a ter relações sexuais, uma vez que adormeceu, sem que se lembre sequer de ter sentido sono.
A polícia encontrou no telemóvel de Høiby um vídeo que comprava esta versão dos factos. Høiby dará a sua versão na quarta-feira.
O julgamento continua até 19 de março.
Princesa herdeira também sob pressão
Além do julgamento, outro caso abala a imagem da família: a aparição em pelo menos mil ocasiões do nome de Mette-Marit nos arquivos publicados nos Estados Unidos sobre o caso Jeffrey Epstein.
As mensagens entre os dois foram trocadas entre 2011 e 2014, quando a princesa herdeira já estava casada com o futuro rei da Noruega. Na época, Epstein já havia sido condenado por prostituição de menores.
Høiby nasceu de uma relação anterior ao casamento da sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon.
Marius Borg Høiby já tinha sido detido a 4 de agosto de 2024 por suspeita de agredir a sua parceira na noite anterior. Alguns dias depois, afirmou que agiu "sob a influência de álcool e cocaína após uma discussão", e disse sofrer de "transtornos mentais", lutando "há muito tempo contra a dependência" das drogas.
A investigação encontrou indícios de outros crimes, incluindo a alegada violação de quatro mulheres quando não estavam em condições de se defender e que o réu, em alguns casos, filmou. Sete pessoas são consideradas vítimas do filho de Mette-Marit. As suas identidades permanecem sob proteção, com exceção da modelo e influenciadora Nora Haukland.
Coincidentemente, o parlamento norueguês votou esta terça-feira a favor de manter o regime monárquico na Noruega.
