
Israel iniciou a guerra em Gaza após o ataque do Hamas ao território israelita em 7 de outubro de 2023
AFP (arquivo)
"Acesso à água, ao saneamento e à higiene é também muito limitado" e "as condições de vida em habitações sobrelotadas aumentam o risco de epidemias", acrescenta ONU
A fome em Gaza terminou, mas a maioria da população da Faixa de Gaza continua a enfrentar elevados níveis de insegurança alimentar, afirmou esta sexta-feira a principal autoridade mundial em crises alimentares.
"Após o cessar-fogo declarado a 10 de outubro de 2025, a análise mais recente indica uma melhoria notável na segurança alimentar e nutricional" na Faixa de Gaza, referiu o novo relatório da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), um organismo ligado à ONU, baseado em Roma.
No entanto, a maioria da população da Faixa de Gaza continua a "enfrentar elevados níveis de insegurança alimentar", e a situação mantém-se "crítica", apesar do "acesso facilitado para entregas de alimentos humanitários e comerciais".
"Toda a Faixa de Gaza está classificada em situação de emergência (Fase 4 do IPC) até meados de abril de 2026. Nenhuma área está classificada como estando em situação de fome (Fase 5 do IPC)", referiu o IPC.
De acordo com a previsão do IPC para o período de 1 de dezembro de 2020 a 15 de abril de 2026, "a situação deverá manter-se grave, com aproximadamente 1,6 milhões de pessoas ainda a enfrentar insegurança alimentar a um nível de crise ou pior (Fase 3 do IPC ou superior)".
"Perante provas esmagadoras e inequívocas, até o IPC teve de admitir que não havia fome em Gaza. No entanto, o relatório do IPC é mais uma vez deliberadamente distorcido e não reflete a realidade na Faixa de Gaza", reagiu Oren Marmorstein, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel na rede social X.
In the face of overwhelming and unequivocal evidence, even the IPC had to admit that there is no famine in Gaza. Yet the IPC"s report is once again deliberately distorted and doesn"t reflect the reality in the Gaza Strip. It ignores the vast volume of aid entering the Strip... pic.twitter.com/4Zizxx8PaF
- Oren Marmorstein (@OrenMarmorstein) December 19, 2025
"O relatório ignora o volume considerável de ajuda humanitária que entra na Faixa, uma vez que se baseia principalmente em dados relativos aos camiões da ONU, que representam apenas 20% de todos os camiões de ajuda", acrescentou o porta-voz israelita.
A subnutrição não é o único problema em Gaza, sublinhou o IPC, uma vez que "o acesso à água, ao saneamento e à higiene é também muito limitado" e "as condições de vida em habitações sobrelotadas aumentam o risco de epidemias".
Além disso, "mais de 96% das terras agrícolas na Faixa de Gaza foram destruídas ou estão inacessíveis, ou ambas as coisas".
"O gado foi dizimado e as atividades de pesca continuam proibidas. Grande parte das infraestruturas essenciais para o transporte e armazenamento de alimentos importados foram severamente danificadas ou destruídas. O dinheiro é escasso e a taxa de desemprego atingiu os 80%", segundo o IPC.
"A fome em Gaza atingiu níveis alarmantes que poderiam ter sido evitados", afirmou a organização não-governamental (ONG) Oxfam França.
"Israel está a permitir a entrada de muito pouca ajuda e continua a bloquear ativamente os pedidos de dezenas de organizações humanitárias reconhecidas", acrescentou a ONG em comunicado.
Em agosto passado, o IPC declarou o estado de fome em Gaza, o primeiro a atingir o Médio Oriente, atraindo a ira de Israel, que denunciou o anúncio como "baseado em mentiras do Hamas".
Israel iniciou a guerra em Gaza após o ataque do Hamas ao território israelita em 7 de outubro de 2023.
