
FILE PHOTO: Three members of Basque separatist group ETA call for a definitive end to 50 years of armed struggle, which has cost the lives of at least 850 people, in this still image taken from an undated video published on the website of Basque language newspaper Gara October 20, 2011. REUTERS/Gara/Handout/File Photo ATTENTION EDITORS - THIS IMAGE WAS PROVIDED BY A THIRD PARTY. MANDATORY CREDIT
Gara via Reuters
A ETA anunciou que "dissolveu completamente" todas as suas estruturas e que vai terminar a atividade política.
Uma carta com data de 16 de abril, publicada no site do jornal El Diario, esta quarta-feira, dá conta da dissolução da organização extremista.
Depois de mais de 50 anos de campanha pela independência da comunidade autónoma espanhola do País Basco, tendo provocado a morte de cerca de 850 pessoas, a ETA decidiu por um fim ao seu percurso.
"A ETA decidiu dar por terminado o seu ciclo histórico e as suas funções", lê-se na carta agora divulgada, que sublinha que a organização "dissolveu completamente todas as suas estruturas e deu por terminada a sua iniciativa política".
"Como consequência da mudança de estratégia da esquerda nacionalista, a ETA terminou o processo começado em 2010, com a intenção de abrir um novo ciclo político" na região, informa o grupo, referindo-se ao cessar-fogo declarado em 2011.
Em abril de 2017, a ETA entregou as suas armas, naquilo que diz ser a sua "ação mais significativa". "A ETA deu ao povo as suas armas e deixou nas mãos da sociedade civil a responsabilidade pelo desarmamento", refere a carta redigida pela organização.
O grupo separatista garante que, nos últimos anos, tem "apostado, com valentia e responsabilidade, na construção do futuro sob um novo ponto de partida".
No entanto, a ETA sublinha que a decisão do fim da organização não significa o fim do conflito com Espanha e França. "O conflito não começou com a ETA e não termina com o final da ETA", declara o grupo.
A organização afirma que, apesar dos "numerosos esforços" ao longo dos anos, não foi capaz de "chegar a acordo com o governo". "É uma responsabilidade partilhada e a ETA assume a parte que lhe diz respeito".
"A falta de vontade e as oportunidades perdidas para solucionar o conflito" causaram a "multiplicação do sofrimento" de todas as partes", admitiu a organização. "A ETA reconhece o sofrimento provocado pela sua luta".
"Não repitamos os mesmos erros, não deixemos que os problemas apodreçam. Anos de confronto deixaram feridas profundas e há que dar-lhe a cura certa", defende.
A carta da organização separatista termina com uma "recomendação": "a solução do conflito e a construção da Euskal Herria [a "terra basca"] é necessária a todos e o futuro é responsabilidade de todos". "Nós, que fomos militantes da ETA, queremos confirmar o nosso compromisso de embarcar totalmente nessa tarefa, cada qual no lugar que considere mais oportuno, com a responsabilidade e honestidade de sempre".
Os primeiros atentados assumidos pela organização separatista basca foram a morte de um guarda civil e do chefe da polícia secreta de San Sebastián, em 1968.
Desde a sua fundação, em 1959, a ETA foi responsável por mais de 3.300 ataques terroristas.