
António Guterres
Foto: Andrea Renault/AFP
O secretário-geral da ONU alerta que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região
O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou este sábado a sua "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela", alertando que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região.
Guterres sublinhou, através do seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que os recentes acontecimentos constituem "um precedente perigoso" para a ordem internacional e insistiu na necessidade de "pleno respeito, por parte de todos", do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas.
"O secretário-geral está profundamente preocupado com o facto de as normas do direito internacional não terem sido respeitadas", afirmou o porta-voz, sem entrar em detalhes sobre o alcance ou as circunstâncias da ação militar dos Estados Unidos, nem sobre possíveis responsabilidades concretas.
Guterres reiterou o seu apelo a todas as partes envolvidas no país para que apostem numa saída "política e pacífica".
"O secretário-geral exorta todos os atores na Venezuela a comprometerem-se num diálogo inclusivo, com pleno respeito pelos direitos humanos e pelo Estado de direito", referiu Dujarric.
Fontes diplomáticas consultadas pela EFE indicaram que a ONU acompanha de perto a evolução dos acontecimentos e que o Conselho de Segurança irá reunir de urgência durante a tarde de hoje para analisar a situação.
Há anos, a organização defende uma solução negociada para a crise venezuelana, apoiando iniciativas de mediação e diálogo entre o governo e a oposição, e exigindo repetidamente o respeito pelas liberdades fundamentais e pelos mecanismos democráticos.
O presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos realizaram hoje "com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela" e disse ter capturado o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a sua mulher.
Trump confirmou o ataque poucas horas depois de terem sido relatadas explosões e sobrevoos de aeronaves militares em Caracas e outras zonas do país e garantiu que Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, estão detidos no navio anfíbio USS Iwo Jima e a caminho de Nova Iorque para serem julgados por tráfico de droga.
