
As autoridades israelitas tinham impedido, até agora, a entrada de combustível no território
AFP
A ONU avança que "não há gasolina para fazer funcionar o abastecimento de água ou os hospitais".
O combustível que chegou hoje à Faixa de Gaza, através do Egito, para ser utilizado na distribuição de ajuda humanitária, "não é suficiente", lamentou a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), confirmando uma primeira entrega.
Foram entregues pouco mais de 23 mil litros de gasolina, "mas a utilização foi restringida pelas autoridades israelitas, [e vai ser] apenas utilizada para transportar ajuda humanitária", lamentou Thomas White, diretor da UNRWA em Gaza, num texto divulgado na rede social X, sublinhando que "não há gasolina para fazer funcionar o abastecimento de água ou os hospitais".
"Isto é apenas 9% do que necessitamos diariamente para mantermos as operações para salvarmos vidas", disse ainda o mesmo responsável.
Just received 23,027 LT of fuel from Egypt (half a tanker) - but its use has been restricted by Israeli authorities - only for transporting aid from Rafah.
- Thomas White (@TomWhiteGaza) November 15, 2023
No fuel for water or hospitals
This is only 9% of what we need daily to sustain lifesaving activities@UNRWA #Gaza
"É preciso muito mais. O combustível está a ser usado como arma de guerra e isto tem de parar", assinalou, referindo-se aos civis vítimas da ofensiva de Israel contra o enclave.
As autoridades israelitas tinham impedido, até agora, a entrada de combustível no território por considerarem que poderia ser desviado para alimentar a máquina de guerra do Hamas.
"Os camiões das Nações Unidas que transportam ajuda humanitária através da fronteira de Rafha, no sul da Faixa de Gaza, vão receber combustível", anunciou hoje um organismo que depende do Ministério da Defesa de Israel através de uma mensagem difundida pela rede social X.
O mesmo organismo indicou que a decisão foi adotada "após um pedido dos Estados Unidos".
A UNRWA e várias organizações não-governamentais têm denunciado nas últimas semanas a falta de combustível, que afeta as operações de ajuda humanitárias, além de provocar cortes de energia que afetam hospitais, centrais de dessalinização, padarias e outras infraestruturas do enclave.
Philippe Lazzarini, comissário da UNRWA, disse na terça-feira que "não entra combustível em Gaza desde o dia 7 de outubro".
Uma fonte egípcia na fronteira de Rafah, que pediu anonimato, disse à agência de notícias espanhola EFE que se prevê a entrada de mais camiões-cisterna do Egito destinados às Nações Unidas na Faixa de Gaza nos próximos dias. A informação não foi confirmada oficialmente por Israel.
O grupo islamita Hamas, considerado terrorista pela União Europeia (UE), pelos Estados Unidos e Israel, fez, em 7 de outubro, um ataque surpresa contra Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar, que fez cerca de 1200 mortos e mais de 200 cidadãos raptados.
Em resposta, Israel bombardeou a partir do ar várias infraestruturas do Hamas na Faixa de Gaza, que controla desde 2007, e impôs um cerco total ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.
As autoridades de Gaza indicam que a resposta de Israel fez mais de onze mil mortos entre a população civil do território.