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É a primeira vez, desde 2009, que as mortes causadas por soldados da NATO e pelas forças de segurança governamentais superaram as mortes causadas pelos extremistas.
As forças de segurança no Afeganistão mataram mais civis no primeiro trimestre de 2019 do que os talibãs e outras organizações terroristas, segundo dados divulgados pelas Nações Unidas esta sexta-feira. Nos primeiros três meses do ano morreram 581 civis vitimas do conflito armado.
É a primeira vez que as mortes causadas por soldados da NATO e forças de segurança governamentais superam as causadas pelos extremistas desde que, em 2009, a ONU começou recompilar dados. Nos primeiros três meses de 2019, as forças pró-governamentais foram responsáveis pela morte de 305 civis. No mesmo período as forças oposicionistas mataram 227 pessoas.
As mortes deveram-se sobretudo a ataques aéreos (145 mortes). Mulheres e crianças representam metade das vítimas. No total, morreram 581 civis e 1.192 ficaram feridos. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA), que divulgou o relatório, apelou "às forças de segurança nacional afegãs e forças militares internacionais que conduzam investigações aos incidentes com vítimas civis, divulguem os resultados das suas análises e indemnizem as vítimas de forma apropriada". No relatório pode ler-se, também, que algumas das forças afegãs parecem agir com impunidade.
A queda do número de mortos, em comparação com o mesmo período do ano anterior, é atribuída a uma diminuição do número atentados suicidas levados a cabo. Mas a UNAMA não sabe se a diminuição número de ataques suicidas pode ser atribuída a um inverno rigoroso ou se os talibãs decidiram não atacar civis enquanto decorrem negociações de paz com os Estados Unidos.