"Os guardiões." Revista Time elege jornalistas presos e mortos como "Personalidade do Ano"

Revista Time aplaude assim a coragem dos jornalistas castigados por fazer o seu trabalho: procurar a verdade.
"Os guardiões", jornalistas mortos e presos ao serviço da "luta pela verdade" são a "Personalidade do Ano" eleita pela revista Time.
Entre os mencionados pela revista norte-americana estão o colunista do Washington Post Jamal Khashoggi, a ex-chefe da sucursal da CNN nas Filipinas Maria Ressa, além de profissionais do jornal Capital Gazette e da agência Reuters.
Na capa tradicionalmente dedicada à pessoa mais influente do ano surge o jornalista que ousou discordar do governo do país onde nasceu e foi assassinado no consulado da Arábia Saudita na Turquia.
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A morte de Khashoggi "pôs a nu verdadeira natureza de um príncipe sorridente", escreve a Time.
Destaque também para Maria Ressa, que dirige o Rappler, um site de notícias online que revelou as execuções extrajudiciais do presidente Rodrigo Duterte. Acusada de alegada fraude fiscal, a jornalista corre o risco de ser punida com uma pena de prisão até dez anos.
A lista inclui ainda quatro jornalistas do jornal Capital Gazette, mortos a tiro num atentado em Maryland, nos Estados Unidos, levado a cabo por um homem que tinha processado a publicação e perdido o caso em tribunal e dois repórteres da agência Reuters.
Kyaw Soe Oo e Wa Lone foram condenados a sete anos de prisão, acusados de terem revelado segredos de Estado no decurso de uma investigação sobre o massacre da minoria rohingya.
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A Time justifica a escolha com o facto de estes jornalistas "terem corrido grandes riscos em busca de verdades maiores, pela busca imperfeita, mas essencial".
"Em 2018, os jornalistas tomaram nota do que as pessoas diziam e do que as pessoas faziam. Quando essas duas coisas diferiam, eles também tomavam nota. O ano não trouxe grandes mudanças no que eles fazem ou como o fazem. O que mudou foi o quanto isso importa."
Em 2017, a "Personalidade do Ano" da revista Time foram as mulheres que lideraram o movimento "MeToo".