
epa07340973 Pope Francis (L) is welcomed by Abu Dhabi's Crown Prince Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, upon his arrival at the Abu Dhabi airport, United Arab Emirates, 03 February 2019. Pope Francis arrived on three-day visit to the UAE, making him the first pontiff to visit an Arab Gulf state. He will attend an interreligious conference and lead a mass at the Zayed Sports City. The UAE is a Muslim-majority county, however there are some 1.2 million Christian expatriate population. EPA/ANDREW MEDICHINI / POOL
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Numa visita histórica aos Emirados Árabes Unidos, o papa Francisco afirmou, esta segunda-feira, que os líderes religiosos têm o dever de rejeitar a guerra e de assumir o compromisso do diálogo.
"Em nome do Deus Criador (...) deve-se condenar sem hesitação qualquer forma de violência, porque é uma grave profanação utilizar o nome de Deus para justificar o ódio e a violência contra um irmão", afirmou o Sumo Pontífice, acrescentando: "Não há violência que possa ser religiosamente justificada".
Francisco, que se tornou no primeiro líder da Igreja Católica a pisar o solo da península arábica, berço do Islão, intervinha durante uma conferência sobre o diálogo inter-religioso, uma iniciativa patrocinada pelo Conselho de Anciãos Muçulmanos, com sede nos Emirados.
Discursando em italiano, o Sumo Pontífice apelou ao fim das guerras no Médio Oriente, numa referência às "nefastas consequências" visíveis atualmente em conflitos no Iémen, na Síria, no Iraque e na Líbia, pedindo aos líderes religiosos que resistam "às inundações de violência e à desertificação do altruísmo".
Os Emirados Árabes Unidos estão envolvidos nos conflitos no Iémen, Síria e Líbia. No caso concreto do conflito no Iémen, participam na coligação internacional liderada pela Arábia Saudita que ajuda militarmente o governo iemenita na luta contra os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão.
"A fraternidade humana exige de nós, como representantes das religiões do mundo, o dever de rejeitar todos os matizes de aprovação da palavra 'guerra'", declarou Francisco, diante de uma plateia composta por líderes de várias correntes religiosas, recordando que a palavra guerra é sinónimo de "miséria" e de "crueldade".
"Deus está com aqueles que procuram a paz. Do céu ele abençoa cada passo que, para esse caminho, é realizado na terra", prosseguiu.
Na intervenção, o pontífice lançou também um apelo em defesa da "liberdade religiosa", enfatizando que tal liberdade "não se limita apenas à liberdade de culto" e que nenhuma prática religiosa deve ser "imposta".
Nesse sentido, o papa Francisco pediu a todos os países do Médio Oriente que concedam "o mesmo direito à cidadania" às pessoas "de diferentes religiões".
"Não só aqui, mas em toda a região amada e central do Médio Oriente, desejo oportunidades concretas de relacionamento: (...) sociedades onde as pessoas de várias religiões têm o mesmo direito à cidadania", referiu.
Ainda no mesmo discurso, o papa Francisco falou diretamente para os jovens do Médio Oriente, alertando para os perigos das designadas "fake news" e das campanhas de propaganda desencadeadas em vários países árabes do Golfo.
"Os jovens, que muitas vezes são cercados por mensagens negativas e 'fake news', precisam de aprender a não se renderem às seduções do materialismo, do ódio e do preconceito", declarou.
O papa Francisco chegou, este domingo, aos Emirados Árabes Unidos e, esta terça-feira, irá celebrar uma missa classificada como histórica num grande estádio de Abu Dhabi, para a qual são esperados mais de 130.000 fiéis.
Cerca de um milhão de católicos -- a maioria imigrantes asiáticos -- vive nos Emirados, país cuja população é constituída por mais de 85% de expatriados e podem praticar a sua religião em oito igrejas.
Desde o início do seu pontificado, o papa já se deslocou a vários países cuja população é maioritariamente muçulmana, como o Egito, o Azerbaijão, o Bangladesh e a Turquia. Em março é esperado em Marrocos.