
Pedro Passos Coelho
EPA/Stephanie Lecocq
O primeiro-ministro português afirmou hoje em Bruxelas que não ficou «nada incomodado» com a realização de uma mini-cimeira sobre a Grécia, na quinta-feira à noite, que deixou de fora a maioria dos líderes europeus. Passos revelou ainda que teve finalmente oportunidade de cumprimentar Alexis Tsipras.
No final de uma cimeira de dois dias em Bruxelas, Passos Coelho, questionado sobre a celebração de uma reunião solicitada pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e na qual participaram a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, além de líderes das principais instituições da União Europeia (EU), assegurou que não sente «nenhum incómodo» com o formato da reunião, criticado por diversos chefes de Estado e de Governo, que se sentiram excluídos.
Apontando que teve, por fim, «ocasião de cumprimentar» o seu homólogo grego, e de «pessoalmente lhe transmitir felicitações» pela sua designação para o cargo de primeiro-ministro - «não tinha tido antes oportunidade», assinalou -, Passos Coelho sustentou que «o primeiro-ministro grego conversa com quem quer» para tentar ultrapassar a difícil situação do seu país, e «ninguém tem que se sentir ofendido».
«Só posso desejar o maior sucesso ao governo grego», na sua tarefa de «concluir todos os trabalhos técnicos que permitirão» terminar com sucesso o programa de assistência, tal como acordado em sede de Eurogrupo a 20 de fevereiro passado, e assim «ultrapassar a situação difícil que ainda se vive» no país, e «cada vez mais difícil».
Escusando-se a tecer grandes comentários à falta de progressos verificados no último mês, desde a reunião de ministros das Finanças da zona euro de 20 de fevereiro, na qual se chegou a um compromisso sobre o prolongamento, por quatro meses, da assistência à Grécia, por considerar desnecessário «ter um debate público sobre esta matéria», o primeiro-ministro reforçou que reuniões à margem de Conselhos Europeus com vista a desbloquear problemas e a encontrar soluções «são matéria que ocorre com frequência».
Na quinta-feira à noite, após a conclusão do primeiro dia de trabalhos do Conselho Europeu, teve lugar uma mini-cimeira sobre a Grécia, que juntou à mesa Tsipras, Merkel, Hollande, e os presidentes do Conselho, Donald Tusk, da Comissão, Jean-Claude Juncker, do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e do Banco Central Europeu, Mario Draghi.
Vários Estados-membros, com a Bélgica à cabeça, manifestaram o seu mal-estar com a realização do encontro nestes moldes. Da reunião saiu um curto comunicado, no qual é indicado que o Governo grego se comprometeu a apresentar uma lista específica de reformas nos próximos dias, estando o Eurogrupo «pronto» para se reunir assim que necessário.
«No âmbito do acordo do Eurogrupo de 20 de Fevereiro de 2015, as autoridades gregas (...) terão que apresentar uma lista completa de reformas específicas nos próximos dias», lê-se na declaração conjunta, que refere ainda que, tal como acordado há um mês, as negociações políticas entre a Grécia e os credores continuarão a decorrer em Bruxelas, ao mesmo tempo que há reuniões técnicas em Atenas com vista à recolha de dados.
O acordo alcançado a 20 de fevereiro no Eurogrupo (reunião que junta os ministros de Finanças da zona euro) permitiu estender o programa de resgate da Grécia até final de junho, comprometendo-se então Atenas a apresentar e aplicar reformas com vista ao desembolso da última parcela do empréstimo, que ascende a 7.000 milhões de euros.