
Alex Pretti é a mais recente vítima mortal do ICE
Créditos: Roberto Schmidt/AFP
A mais recente vítima mortal do ICE é Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra
O homem morto este sábado por agentes federais em Minneapolis, nos Estados Unidos, era um "homem branco de 37 anos", residente na cidade e aparentemente "um cidadão norte-americano", anunciou o chefe da polícia local. A Sky News adiantou, entretanto, mais detalhes: Alex Pretti é o nome da vítima mortal, um enfermeiro numa unidade de cuidados intensivos para veteranos dos Estados Unidos.
Numa conferência de imprensa, Brian O'Hara indicou que a polícia recebeu "um relato de tiroteio" às 09h03 locais (mais seis horas em Lisboa) na zona sul da cidade, envolvendo agentes da polícia anti-imigração (ICE, na sigla em inglês).
A polícia não recebeu qualquer informação das autoridades federais, mas o responsável remeteu para um vídeo que está a circular nas redes sociais - que mostra vários homens com a cara tapada e com a inscrição "Police" na roupa a derrubar um homem, antes de disparar várias vezes -, acrescentando: "O vídeo fala por si."
"Acreditamos que é um cidadão norte-americano", disse.
O responsável policial indicou ainda que, quando a polícia chegou ao local, encontrou "um homem adulto com múltiplos ferimentos por bala", que estava a receber "manobras de reanimação", mas que foi declarado morto no Centro Médico do Condado de Hennepin, para onde foi transportado de ambulância.
Questionado sobre declarações do Departamento de Segurança Interna de que o homem estava armado, O'Hara reiterou não ter relatos oficiais dos acontecimentos. "O que posso dizer é que identificámos esta pessoa, um homem branco de 37 anos, residente na cidade. A única interação de que temos conhecimento com as autoridades foi por multas de trânsito, e acreditamos que ele é um proprietário legal de armas com licença para portar arma", adiantou.
O chefe da polícia acrescentou que no local do incidente permanecia um "ajuntamento ilegal", apelando às pessoas que "evitem a área e que saiam de lá".
Já segundo a Sky News, o homem trabalhava na unidade de cuidados intensivos de um centro de apoio médico a Veteranos. Chamava-se Alex Pretti. A agência Associated Press falou com familiares do enfermeiro e ficou a saber que era um amante da natureza e que participou nos protestos que aconteceram em Minneapolis após o assassinato de Renee Good, também pelo ICE, no início do mês.
"Ele preocupava-se profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava a acontecer em Minneapolis, e em todos os Estados Unidos, com o ICE, tal como milhões de outras pessoas estão. E sentia que protestar era uma forma de expressar isso, a sua preocupação com os outros", disse o pai do enfermeiro, Michael Pretti, à Associated Press.
Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois. Tal como Renee Good, não tinha antecedentes criminais e a família contou que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.
Numa conversa recente com o filho, os pais de Alex Pretti, que vivem no estado do Wisconsin, disseram-lhe para ter cuidado nos protestos.
"Tivemos essa conversa com ele há duas semanas, dizendo-lhe para protestar, mas sem se envolver, sem fazer nada estúpido, basicamente. E ele disse que sabia disso. Ele sabia disso", contou Michael Pretti.
O presidente dos Estados Unidos já saiu em defesa dos agentes do ICE que traçaram um retrato bem diferente do cidadão morto a tiro. Na versão das autoridades, o homem, sem documentos, abordou os agentes com uma arma semiautomática e resistiu quando o tentaram desarmar. Consigo tinha mais dois carregadores, o que leva os agentes a acreditar que o objectivo era causar máxima destruição e massacrar aqueles que implementam a lei.
