"Posso avançar?" Gravação prova que chefe de estação deu ordem determinante para colisão

Sakis Mitrolidis/AFP
Gravação áudio comprova que acidente ferroviário na Grécia que provocou pelo menos 57 mortos foi provocado por erro humano.
A estação de Larissa, na Grécia, foi esta sexta-feira alvo de buscas pela polícia no âmbito da investigação às causas da colisão entre dois comboios e foram apreendidos "arquivos de áudio, documentos e outras evidências que podem ajudar a esclarecer o caso e atribuir responsabilidades criminais".
Uma gravação áudio comprova que o acidente se tratou de um erro humano e responsabiliza o chefe da estação de Larissa, detido esta quinta-feira, porque autorizou um comboio que transportava 342 passageiros e 10 trabalhadores ferroviários a seguir pela mesma linha onde já circulava, na direção contrária, um comboio de mercadorias.
Os comboios circularam vários quilómetros na mesma via, que liga Atenas a Thessaloniki, as duas maiores cidades gregas, antes acabar por chocar frontalmente antes da meia-noite. Pelo menos 57 morreram e mais de cem pessoas ficaram feridas.
"Continue pela saída do semáforo vermelho até ao semáforo para Neon Poron", ouve-se na gravação das comunicações entre o chefe da estação e um dos maquinistas envolvidos no acidente, revela a CNN.
O maquinista pergunta se pode mesmo avançar: "Posso continuar?" e, em resposta, o chefe da estação insiste: "vá, vá".
Mais tarde no percurso, o condutor do comboio pergunta: "Devo dar a volta agora?", mas recebe uma resposta negativa: "Não, não, porque o 1564 está nesse caminho".
O chefe da estação de comboios de Larissa foi detido esta quinta-feira e segundo a ddefesa "reconheceu o erro". É suspeito de homicídio por negligência, ofensa à integridade física por negligência e perturbação da segurança do transporte, crimes pelo qual pode vir a ser condenado a prisão perpétua.
O ministro dos Transportes grego, Costas Karamanlis, demitiu-se após o acidente. O novo ministro, Giorgos Gerapetritis, pediu desculpa aos familiares das vítimas.