
Créditos: AFP
Inicialmente, o número de pessoas autorizadas a sair da Faixa de Gaza por Rafah está limitado a apenas 50 doentes e feridos
Três ambulâncias com doentes e feridos provenientes da Faixa de Gaza chegaram ao Egito esta segunda-feira, após a reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah, disseram fontes das autoridades egípcias e a televisão Al-Qahera News.
Um responsável do Ministério egípcio da Saúde referiu, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP), que estes doentes e feridos na guerra no enclave palestiniano foram transportados em três ambulâncias e "imediatamente examinados para determinar para que hospital seriam transferidos".
A Al-Qahera News, ligada aos serviços de informação do Cairo, transmitiu em direto a chegada das três ambulâncias ao lado egípcio de Rafah, depois do pôr do sol e de várias horas de espera, e indicou que os feridos estavam a ser transferidos para hospitais na província do Norte do Sinai, como Sheikh Zuweil, Al-Arish e Bir Al-Abd.
Uma fonte humanitária especificou à agência de notícias espanhola EFE que cinco habitantes palestinianos, juntamente com dez acompanhantes, atravessaram também a passagem de Rafah.
A EFE confirmou em Khan Yunis, no sul do enclave, que os cinco doentes eram todos do sexo masculino, incluindo menores, que aguardavam em cadeiras de rodas para viajar, após Israel ter indicado previamente que tinha programado a reabertura de Rafah para domingo.
A passagem estava fechada desde que as tropas israelitas assumiram o controlo em maio de 2024 e foi agora reaberta à circulação de pessoas de forma bastante limitada, no âmbito do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde 10 de outubro, apesar de sucessivas acusações mútuas de violação do acordo.
As autoridades egípcias colocaram já em alerta dezenas de hospitais e profissionais de Saúde para receber os feridos e doentes palestinianos.
Rafah é a única fronteira da Faixa de Gaza que não comunica com o território israelita e, antes da guerra, desencadeada em outubro de 2023, era a principal passagem para as pessoas que entravam e saíam do território.
Inicialmente, o número de pessoas autorizadas a sair da Faixa de Gaza por Rafah está limitado a apenas 50 doentes e feridos, cada um deles acompanhados por duas pessoas, enquanto 50 palestinianos podem regressar, indicaram as autoridades israelitas e egípcias.
Este número está muito aquém dos cerca de 20 mil doentes e feridos que, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, necessitam de tratamento no exterior, enquanto mais de 30 mil palestinianos estão registados no Cairo para regressar e juntar-se às famílias, de acordo com uma fonte diplomática citada pela agência de notícias Associated Press (AP).
A reabertura de Rafah, após a devolução de todos os reféns que estavam em cativeiro no território, faz parte do plano do Presidente norte-americano, Donald Trump, para terminar definitivamente a guerra entre Israel e Hamas.
No entanto, as autoridades israelitas condicionaram qualquer travessia à obtenção de uma "autorização de segurança prévia", em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão da União Europeia em Rafah.
A reabertura da fronteira deverá permitir também a entrada, em data ainda a definir, dos 15 membros do Comité Nacional para a Administração de Gaza, encarregados de gerir o território durante um período de transição sob a autoridade do "Conselho da Paz", por sua vez presidido por Donald Trump.
A primeira fase do cessar-fogo incluiu a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos e todos já repatriados) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas da Faixa de Gaza e a entrada de ajuda humanitária no território.
As próximas etapas preveem um Governo de transição tecnocrático, já constituído, o desarmamento do Hamas, a criação de uma força militar internacional e a reconstrução do enclave.
A guerra na Faixa de Gaza foi intensificada pelos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
