
epa07143156 Members of the group Your Vote Matters encourage people to vote before an event hosted by US Senator Claire McCaskill as she campaigns for the US Senate in Saint Louis, Missouri, USA, 05 November 2018. McCaskill, a Democrat, faces a challenge from Republican Missouri Attorney General Josh Hawley in the 06 November general election. EPA/SID HASTINGS
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Já se vota nos Estados Unidos. As urnas da costa leste abriram às 11 horas de Lisboa. Milhões de americanos escolhem novos membros do Senado e da Câmara dos Representantes. Trump não vai a votos... mas quase.
Antes da abertura oficial das urnas em Nova Iorque, fomos medir o pulso ao eleitorado na cidade que nunca dorme.
Em dia de eleições não faltam apelos ao voto no centro de Nova Iorque. Apelos oficiais de candidatos na corrida e de grupos independentes, como um coro que encontrámos à porta de uma estação de metro, que veio aquecer a voz para rua contra Donald Trump.
Perguntamos de onde vêm, se têm filiação partidária e por que estão ali. Respondem que são um coro revolucionário, simpatizante do Partido Democrático, e que vieram apelar ao voto contra o Partido Republicano porque estão revoltados com a atual situação política no Congresso. "É absolutamente degradante o que estão a fazer", diz um dos elementos do coro.
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Entramos no metro e seguimos até Times Square para ouvir outras vozes. No caminho encontramos uma adepta de Trump que, apesar da pressa, tem tempo para elogiar o Presidente: "Acredito em Trump, acho que é fantástico e tenho pena que não lhe deem crédito e vejam as coisas boas que tem feito."
Mais à frente, outra voz, outra opinião, neste caso um antigo republicano que vota pelos democratas, desiludido com o rumo do partido. "Eu era republicano mas já não sou. O Partido Republicano perdeu todo o sentido e está num estado desastroso com Donald Trump."
Em Brooklyn ouvimos mais críticas, principalmente ao discurso do Presidente contra os imigrantes. Uma eleitora diz-nos que Trump incita o ódio e o desrespeito das pessoas e que vota mais à esquerda porque não se revê na retórica da direita.
Para outros, a cultura do medo alimentada por Trump está a dividir o país e a criar uma América paranoica: "Em Nova Iorque não se sente tanto isso porque é uma cidade aberta à diversidade, mas noutras regiões do país, mais conservadoras, as pessoas estão a ficar paranoicas com a ideia de uma invasão de imigrantes. Acho que isso é extremamente deprimente", diz-nos um rapaz com 25 anos.
Numa cidade dividida a única certeza é que dentro de poucas horas todos ficarão a saber para que lado vai o poder. Se o resultado das sondagens se confirmar, os Democratas vão acabar com a maioria republicana na Câmara dos Representantes, o que vai permitir equilibrar as forças do poder legislativo em Washington.
No entanto, esse cenário é o mais desfavorável para Donald Trump, que tem nestas eleições intercalares uma espécie de referendo aos dois primeiros anos de mandato. A imprensa norte-americana diz mesmo que o resultado de hoje vai permitir perceber se a eleição de Trump foi um devaneio dos norte-americanos ou um passo firme no futuro político do país.
*A TSF nas Eleições Intercalares dos EUA com o apoio da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.