Sete publicações de informação religiosa pedem fim do comércio de armas com Israel e reconhecimento do Estado da Palestina

Gonçalo Delgado/Global Imagens (arquivo)
Em declarações à TSF, António Marujo, diretor do 7Margens, a publicação portuguesa que integra este grupo, afirma que o Governo português não pode reagir "como se nada estivesse a acontecer".
Um conjunto de sete publicações de informação religiosa independentes pediu esta segunda-feira o fim do comércio de armas com Israel, o reconhecimento do Estado da Palestina e a libertação imediata de todos os reféns em poder do Hamas.
A publicação portuguesa 7Margens integra este grupo. Em declarações à TSF, António Marujo, diretor daquele jornal, afirma que o Governo português não teve ainda uma posição de condenação forte no que toca a este conflito.
"O que não podemos é continuar a ter uma reação do Governo português como se nada estivesse a acontecer. A reação da União Europeia, dos nossos governos europeus e nomeadamente o Governo português, não pode continuar a ser esta", explica à TSF António Marujo.
O diretor do 7Margens sublinha que "o que dá vontade de perguntar aos governantes é se veem as imagens que passam na televisão, se veem as crianças mortas, feridas, estropiadas e se isso não os impressiona, se isso não os faz pensar que as atitudes que têm de ter são outras". "Não podem ser as atitudes envergonhadas, tímidas que nos põem fora de nós, que têm sido aquelas que têm existido até hoje", acrescenta.
Numa carta aberta dirigida aos governos de Brasil, Espanha, Itália e Portugal, e aos responsáveis da União Europeia, o grupo pede também o reconhecimento como processo de genocídio da operação do exército israelita na Faixa de Gaza e o apoio à reconstrução de “uma Palestina independente e democrática, no quadro dos dois povos, dois Estados livres e independentes”.
Com o título “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos calar – Parar o genocídio, dar de comer aos esfomeados, construir a paz”, os profissionais destas publicações consideram que enquanto jornalistas não lhes “basta noticiar a violência trágica” e que, enquanto crentes não se podem “resignar ao silêncio”.
“É preciso um cessar-fogo imediato e durável; a libertação imediata dos reféns em poder do Hamas; restabelecer a ajuda humanitária em segurança; iniciar negociações com vista à paz justa na região; exigir o acesso livre dos media aos territórios da Palestina; criar condições para a reconstrução da Palestina à luz do direito internacional e numa base democrática”, lê-se na carta.
O apelo dirige-se aos responsáveis políticos e a “todos os cidadãos e cidadãs, crentes e não crentes, bem como às igrejas e diferentes comunidades religiosas e aos seus responsáveis”.
“É tempo de quebrar o silêncio cúmplice e agir! Hoje, ao contrário do que se passou no início da década de quarenta do século passado no nosso continente, hoje vemos, ouvimos e lemos notícias do genocídio. Não podemos calar”, acrescentam.
Além do 7Margens, são ainda signatárias da carta: Unisinos (Brasil), o Catalunya Religió, Flama e Religión Digital (Espanha), Adista e Rocca (Itália).
O grupo avança que deu conhecimento desta carta aberta ao Vaticano e ao Conselho Mundial de Igrejas.
Notícia atualizada às 09h30
