Tragédia na Turquia e Síria. OMS estima que 23 milhões de pessoas poderão ser afetadas

Deniz Tekin/EPA
A entrega de ajuda à Síria já estará a ser "impedida" devido aos danos causados pelo terramoto.
O número de pessoas afetadas pelos terramotos que atingiram o sudeste da Turquia e o norte da Síria pode chegar aos 23 milhões, afirmou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), prometendo ajuda de longo prazo.
Os estudos "mostram que 23 milhões de pessoas estão em risco, incluindo cerca de cinco milhões de pessoas vulneráveis", avançou a responsável da OMS Adelheid Marschang ao conselho executivo da organização.
"A OMS está ciente da grande capacidade de resposta da Turquia e considera que as principais necessidades podem ser as da Síria no prazo imediato e médio", acrescentou.
O sismo, registado na segunda-feira e que tem sido seguido de fortes réplicas, já causou a morte de mais de 5.000 pessoas na Turquia e na Síria, deixando também milhares de feridos e sem abrigo no frio glacial que se faz sentir na região, mas o número ainda é provisório.
A entrega de ajuda à Síria "será, provavelmente, ou já está mesmo a ser impedida pelos danos causados pelo terramoto. Isto em si mesmo já constitui uma enorme crise", afirmou a mesma responsável.
Por seu lado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus -- que pediu um minuto de silêncio pelas vítimas -, garantiu que a organização está a trabalhar "em estreita colaboração com todos os parceiros para apoiar as autoridades da Turquia e da Síria nas próximas horas e dias, que serão críticos, e nos meses e anos que virão, à medida que os dois países se restabelecem e se recuperam".
O diretor-geral anunciou também o envio de "três voos 'charter' para os dois países" com material médico, incluindo 'kits' cirúrgicos, a partir da plataforma de logística para ajuda humanitária situada no Dubai.
"Estamos a juntar materiais de emergência e ativámos a rede de equipas médicas de emergência da OMS para prestar cuidados de saúde essenciais aos feridos e às pessoas mais vulneráveis", acrescentou.
Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou ainda que está a ser feito o mapeamento dos danos para perceber onde é que a OMS deve concentrar a sua atenção.
"Agora é uma corrida contra o tempo. A cada minuto que passa, a cada hora, as hipóteses de encontrar sobreviventes com vida diminuem", admitiu, referindo estar "particularmente preocupado com as áreas onde há menos informações".
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"As réplicas do sismo, as condições severas de inverno, os danos nas estradas, no abastecimento de eletricidade, nas comunicações e outras infraestruturas continuam a dificultar o acesso e mais operações de busca e salvamento", sublinhou o diretor-geral da OMS.
Os abalos, o maior dos quais com magnitude 7,8 na escala de Richter, derrubaram milhares de edifícios no sul da Turquia e no norte da Síria.
As equipas de socorro mantêm-se nos locais afetados, com os trabalhos dificultados pelas baixas temperaturas que se registam na região.