Trump recebe Netanyahu na segunda-feira para discutir nova etapa do plano de paz para Gaza

TOPSHOT - US President Donald Trump (L) holds hands and speaks with Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu at the Israeli parliament, the Knesset, in Jerusalem on October 13, 2025. Hamas handed over the 20 surviving Israeli hostages on October 13 under a ceasefire agreement, as the US President and other world leaders geared up for a summit on Gaza. The releases are part of a ceasefire agreement brokered by the US President, with Israel due in return to free nearly 2,000 detainees held in its jails in exchange. (Photo by SAUL LOEB / POOL / AFP)
AFP
Os dois líderes devem reunir-se às 13h00 (18h00, em Lisboa), adiantou a Casa Branca
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, vai reunir-se na segunda-feira com o Presidente norte-americano, na Flórida. Em causa estão as ambições de Donald Trump para acelerar a próxima fase do plano de paz para Gaza.
Netanyahu também deve tentar desviar um pouco o foco para o Irão, numa altura em que segurem vários relatos de que o chefe do Governo pedirá mais ataques dos EUA à ao país islâmica.
A reunião no luxuoso resort Mar-a-Lago de Trump - a quinta entre os dois líderes a ser realizada nos Estados Unidos este ano - ocorre num momento em que alguns funcionários da Casa Branca temem que tanto Israel quanto o Hamas estejam a atrasar a segunda fase do cessar-fogo.
Trump, que disse que Netanyahu solicitou as negociações, está supostamente ansioso para anunciar - já em janeiro - um Governo tecnocrático palestiniano para Gaza e o envio de uma força internacional de estabilização.
Os dois líderes devem reunir-se às 13h00 (18h00, em Lisboa), adiantou a Casa Branca.
A porta-voz do governo israelita, Shosh Bedrosian, afirmou que Netanyahu discutirá a segunda fase do acordo, que envolve garantir que "o Hamas seja desarmado e Gaza seja desmilitarizada".
Será igualmente abordado o "perigo que o Irão representa não só para a região do Médio Oriente, mas também para os Estados Unidos", acrescentou Bedrosian.
Nos últimos meses, autoridades e meios de comunicação israelitas têm manifestado preocupação com o facto de o Irão estar a reconstruir o seu arsenal de mísseis balísticos após ter sido atacado durante a guerra de 12 dias com Israel em junho.
Mas Sina Toossi, investigadora do Centro de Política Internacional (CIP) em Washington, apontou que a insistência de Trump de que os ataques dos EUA em junho destruíram o programa nuclear de Teerão "acabou com a justificação histórica mais poderosa de Israel" para que os EUA apoiem a guerra com o Irão.
O novo foco de Netanyahu nos mísseis do Irão é "um esforço para fabricar um casus belli substituto", disse Toossi à AFP.
Na segunda-feira, o Irão descreveu estas notícias como uma "operação psicológica" contra Teerão, vincando que estava totalmente preparado para se defender e alertando que uma nova agressão "resultaria em consequências mais severas" para Israel.
"Fase dois não avança"
A primeira fase do acordo de cessar-fogo exigia que o Hamas libertasse os reféns que permaneciam em cativeiro, vivos e mortos, do ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel. O Hamas devolveu todos, exceto o corpo de um refém. As partes denunciam frequentes violações do cessar-fogo.
Na segunda etapa, Israel deve retirar as suas tropas de Gaza, enquanto que o Hamas deve entregar as armas, um ponto de divergência importante para o movimento islamista.
Além disso, uma autoridade interina deve governar o território palestiniano e uma força internacional de estabilização (ISF, na sigla em inglês) será mobilizada.
O site americano Axios informou na sexta-feira que Trump queria convocar a primeira reunião de um novo "Conselho de Paz" para Gaza, que presidiria, no Fórum de Davos, na Suíça, em janeiro. Mas a publicação apontou que funcionários da Casa Branca estavam cada vez mais frustrados por considerarem que Netanyahu se esforça para travar o processo de paz.
"Há cada vez mais sinais de que o Governo americano está a ficar frustrado com Netanyahu", disse Yossi Mekelberg, analista de assuntos sobre o Médio Oriente, no centro de estudos Chatham House, com sede em Londres.
"A pergunta é o que vão fazer a respeito (...) porque a fase dois, neste momento, não avança", acrescentou.
Israel também continua a atacar alvos do Hamas em Gaza e do Hezbollah no Líbano, apesar do cessar-fogo no país.
Mekelberg observou ainda que Netanyahu pode tentar desviar a atenção de Gaza para o Irão, numa altura em que Israel entra em ano eleitoral.
"Tudo está relacionado com permanecer no poder", afirmou o analista sobre o primeiro-ministro israelita.
