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Ao contrário do que se pensava, os T-Rex continuam a crescer depois dos 25 anos e de forma lenta. Ouvido pela TSF, o paleontólogo português André Saleiro acredita que estas investigações "mudam a visão [dos cientistas] e abrem novas portas ao estudo"
O Tyrannosaurus Rex, ou T-Rex, dispensa apresentações. É uma das espécies de dinossauro mais icónicas do mundo e continua a ser estudada. Uma nova investigação desenvolvida na Universidade Estadual de Oklahoma, nos Estados Unidos da América, desvendou que estes animais demoravam até 40 anos para completar o seu desenvolvimento.
André Saleiro é paleontólogo do Museu da Lourinhã e, em declarações à TSF, explica que o estudo em causa utilizou "uma nova maneira de observar os ossos do dinossauro" através do crescimento dos anéis que apresentam e que são idênticos aos que se encontram nos troncos das árvores. No total, foram analisados 17 exemplares desta espécie, incluindo animais juvenis e adultos de grande porte.
Esta investigação permitiu conhecer "outras estruturas associadas ao crescimento dos animais" e, assim, perceber que afinal continuavam a crescer depois dos 25 até aos 40 anos, esclarece André Saleiro. Nessa altura, os T-Rex poderiam pesar até oito toneladas. Além disto, também foi possível detetar que "esse crescimento era mais lento e gradual do que aquilo que se dava como certo".
Todos os anos, a cada investigação feita, são apresentados novos dados sobre estes dinossauros e o paleontólogo acredita que estas informações "mudam a visão [dos cientistas] e abrem novas portas" a outros estudos. Isto, porque "cada resposta leva a cada vez mais perguntas", insiste.
Apesar no avanço nas pesquisas e estudos, André Saleiro sublinha que é preciso saber distinguir a realidade da ficção, especialmente a ficção científica. Considera que "a maneira como os dinossauros são interpretados nos jogos, no cinema e na literatura" pode levar a alguma confusão e até mesmo desinformação. O paleontólogo dá como exemplo os filmes do Parque Jurássico e do Mundo Jurássico, exibidos entre 1993 e 2022, que "ainda hoje levam a algumas questões por parte do público".
"As pessoas têm de perceber onde começa a ciência e onde começa a ficção científica", reitera.