
Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia
Remko de Waal/EPA (arquivo)
Andrii Yermak confirmou que o seu apartamento foi alvo de uma operação policial ao início da manhã
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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta sexta-feira a demissão do chefe de gabinete e principal negociador Andrii Yermak, após buscas realizadas pelas autoridades anticorrupção à sua residência no complexo presidencial.
Yermak, figura central na estrutura do poder em Kiev e principal negociador da Ucrânia nas conversações de paz com a Rússia e os Estados Unidos, confirmou que o seu apartamento foi alvo de uma operação policial ao início da manhã, conduzida pelo Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia e pela Procuradoria Especializada Anticorrupção, que lideram uma investigação sobre um escândalo no setor energético.
Segundo um porta-voz de Yermak, o ex-chefe de gabinete não foi notificado de qualquer suspeita formal e não foi constituído arguido no âmbito do processo em curso.
As autoridades recusaram esclarecer se as buscas estão diretamente relacionadas com o escândalo energético que tem envolvido altos responsáveis do Governo ucraniano e que poderá lidar com quase 100 milhões de euros.
Yermak declarou que está a cooperar plenamente com os investigadores e que os seus advogados estiveram presentes durante a diligência.
A decisão de Zelensky surge num contexto de forte pressão interna e externa, com Kiev instada pela União Europeia e pelos Estados Unidos a reforçar o combate à corrupção como condição essencial para a integração europeia e a continuidade do apoio financeiro.
A demissão agrava o clima de turbulência política na Ucrânia, onde vários dirigentes e antigos colaboradores de Yermak já foram investigados por suspeitas de irregularidades financeiras e subornos.
Apesar de não ter sido formalmente acusado, Yermak era visto como o principal guardião político de Zelensky e uma das figuras mais influentes nas nomeações governamentais desde 2020.
O afastamento ocorre numa fase delicada para o Presidente ucraniano, pressionado para assegurar a unidade interna enquanto decorrem esforços internacionais para alcançar um acordo de paz com Moscovo.
