Coronavírus: Bélgica confirma que infetado viajou com portugueses no A380

Cidadão belga não apresenta sintomas mas testou positivo para a presença de coronavírus por duas vezes.

O porta-voz do ministério belga da Saúde, Jan Eyckmans, confirmou à TSF que o país informou Portugal da viagem feita pelo cidadão belga infetado no mesmo avião em que regressaram a Portugal os cidadãos nacionais repatriados.

"Dadas as condições do voo o risco é muito limitado, mas nós somos obrigados a transmitir a informação a Portugal e a todos os outros países. E nós fizemo-lo imediatamente, assim que o soubemos, tanto aos Estados-Membros, como à Organização Mundial de Saúde", garante o porta-voz.

Jan Eyckmans explica que o aviso foi feito "imediatamente através do sistema de alerta rápido da União Europeia". Contactada pela TSF, a Direção-Geral da Saúde não comentou o assunto.

Um cidadão belga, que não apresenta sintomas, mas "deu positivo" por duas vezes "no primeiro teste e no de controlo" ao coronavírus, que é feito "sempre", viajou no A380 que repatriou os 17 portugueses da cidade de Wuhan.

Esta manhã, numa conferência de imprensa em Bruxelas, a ministra belga da Saúde, Maggie De Block anunciou já tinha contactado as autoridades de "todos os outros países", com cidadãos repatriados no mesmo avião, para lhes dar conta da presença do vírus num passageiro.

Trata-se de um doente sem sintomas, mas as análises laboratoriais indicam que este está infetado, tendo nos dois testes realizados, sido detetada a presença do vírus. "Os testes nasais foram examinados no laboratório de Lovaina. E, durante a noite recebemos os resultados e há uma pessoa - alguém que deu positivo duas vezes, porque há sempre um [teste] de controlo", anunciou esta manhã Maggie De Block.

O doente foi primeiramente examinado o hospital militar Reigne Astrid, que estava preparado para acolher os viajantes durante o período de quarentena. Acabando por ser transferido para um hospital especializado, assim que se detetou o contágio, adiantou o infecciologista, Dr. Patrick Soentjens, dizendo que o doente não apresentava outras questões de diagnóstico relevantes.

"Transferimos esse paciente para o centro de referência, que é o Hospital de Saint Pierre. Fizemos isso esta noite. O paciente foi transportado sem problemas e estava calmo, antes de ser deslocado", disse o infecciologista.

Contágio limitado

O virologista do hospital Militar Reigne Astrid, Steven Van Gucht admitiu que a hipótese de contágio a outros passageiros do avião A380, que saiu de Beja, com tripulação portuguesa, e que também repatriou os 17 Portugueses da região de Wuhan são, ainda assim, remotas.

"Esta pessoa teve muito pouco contacto com os outros, dentro do grupo. Por isso, calculamos que seja muito pouco provável que as outras pessoas tenham sido contaminadas por esta com resultado positivo do vírus", assegurou Steven Van Gucht.

O doente está a ser tratado no piso 309 do Hospital de Saint Pierre, onde funciona o serviço de doenças infecciosas. Nesta unidade, uma equipa especializada esteve e formação, desde que começou a verificar a possibilidade da transmissão intercontinental do vírus.

Ao que a TSF apurou, como medida de prontidão para responder à eventual propagação da doença, o Hospital de Saint Pierre encerrou uma unidade de cuidados intensivos para uma primeira resposta, tendo dez camas disponíveis para casos potencialmente graves.

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