Bolívia. "O pior está para chegar"

"A Bolívia corre o risco de entrar numa situação descontrolada." A análise é de Luís Fretes Carreras. No domingo, o Presidente da República da Bolívia, Evo Morales, renunciou ao cargo, após quase 14 anos no poder.

O professor e investigador do ISCTE sublinha que há três semanas que a população contesta na rua o resultado das eleições de outubro, nas quais Evo Morales foi proclamado vencedor. Luís Fretes Carreras diz que o pior está para chegar.

"O ambiente na Bolívia degradou-se a partir do momento em que o presidente Evo Morales não respeita a Constituição e a todo o custo quer ser reeleito. Isto provocou crispação na sociedade, e vamos ter uma saída pela força, como ocorreu ontem. Mas o pior está para chegar... Há um vazio de poder, a presença das Forças Armadas e de grupos armados na Bolívia."

O professor e investigador do ISCTE sublinha que neste momento não se sabe quem está a governar a Bolívia. "A ordem constitucional estabelece que, perante a renúncia do Presidente, assume o vice-presidente. Caso este não esteja em funções, assume o presidente do congresso, e, posteriormente, o presidente da câmara de deputados... Mas todas estas autoridades renunciaram e neste momento não há ordem de sucessão. Ao mesmo tempo, há muita confusão devido ao anúncio das Forças Armadas e polícias, no qual pedem a renúncia do Presidente. Agora, a polícia nacional emitiu um mandado de detenção de Evo Morales... Tudo isto provoca uma confusão muito grande."

Luís Fretes Carreras explica que, nos últimos 20 dias, a Bolívia tem sido palco de protestos nas ruas a contestar o Presidente. "Começaram por ser manifestações pacíficas a contestar os resultados eleitorais, mas a presença da polícia como meio de controlo e repressão por parte do Governo acabou por diluir-se no tempo. Tanto o exército como a polícia ficaram do lado dos manifestantes. A última decisão de Evo Morales de convocar novas eleições não chegou; as pessoas pediam eleições transparentes e democráticas nas quais ele não poderia participar, estava impedido pela Constituição. Agora, a polícia obrigou o Presidente a renunciar e isto pode acabar no confronto entre civis, muito grave."

No domingo, horas depois de ter convocado novas eleições, Morales anunciou a sua renúncia, após quase 14 anos no poder, no seguimento de demissões de ministros, parlamentares e governadores.

A convocação de novas eleições tinha sido proposta pela Organização dos Estados Americanos, que elaborou um relatório no qual foram detetadas sérias irregularidades nas eleições de 20 de outubro, nas quais Morales foi proclamado vencedor pelo quarto mandato consecutivo. Oposição e líderes cívicos, a polícia e os comandantes militares pediram que se demitisse enquanto crescia a tensão no país, com o registo de três mortos e mais de 400 feridos em confrontos.

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