Boris derrota Corbyn com gancho de direita. Líder trabalhista a prazo

Boris Johnson conseguiu a maioria absoluta no Parlamento britânico. Resultados obrigam Jeremy Corbyn a deixar a liderança do Partido Trabalhista.

As primeiras projeções, divulgadas às 22h00 de quinta-feira, não deixavam grandes dúvidas: Boris Johnson vencia as eleições no Reino Unido com maioria absoluta. Os resultados provisórios da Ipsos MORI, divulgados pela BBC, Sky News e ITV News, avançavam 368 deputados para o Partido Conservador, o melhor resultado desde Margaret Thatcher, em 1987. Nesse ano, a "dama de ferro" conseguiu 376 lugares.

Para os trabalhistas adivinhava-se uma noite de pesadelo, com apenas 191 deputados. E não foi preciso muito tempo para começarem a ver-se as primeiras lamentações. John McDonnell, braço direito de Corbyn no partido, foi um dos primeiros. À BBC, começou por dizer que, se os resultados fossem sequer parecidos com as projeções, seriam desoladores e não deixou de lado uma possível demissão.

"Vamos decidir se eu e o Corbyn devemos sair depois de conhecidos os resultados oficiais. As projeções mostram que estas foram as eleições do Brexit", afirmou John McDonnell.

Seguiram-se Barry Gardiner e Jess Phillips: ele a classificar as projeções de "golpe devastador" e ela de "coração partido".

Perante estas reações, Boris Johnson limitou-se a usar o Twitter para agradecer a todos os britânicos que usufruíram do direito de voto.

Quem subiu e quem desceu em relação às legislativas de 2017?

É clara a grande subida do Partido Conservador, que ganha quase mais 50 deputados, em relação às eleições sob a liderança de Theresa May, e a queda vertiginosa do Partido Trabalhista, que teve o pior resultado desde a II Guerra Mundial.

Entre os partidos mais pequenos registou-se uma subida do Partido Nacionalista Escocês, com pelo menos mais 13 deputados, bem acima dos 35 conseguidos há dois anos, um dos melhores resultados de sempre para os independentistas escoceses.

Quem não teve a mesma sorte foram os Liberais Democratas, que deverão ficar apenas com 13 deputados. Pior só o partido do Brexit, de Nigel Farage, que não elege ninguém.

"Enorme margem" para Johnson governar e porta aberta para saída de Corbyn

Os relógios ainda não marcavam as 12 badaladas quando começaram a ser divulgadas as primeiras páginas dos jornais britânicos de sexta-feira. A vitória histórica de Boris Johnson e o pesadelo dos trabalhistas eram destaque em muitas delas, desde o The Guardian ao tabloide The Sun.

Em Portugal, os analistas afirmavam que a cartada de Boris, gerindo as pausas, avanços e recuos no processo do Brexit, compensou e que agora o líder conservador tinha uma "enorme margem" para governar.

"Agora ele pode fazer o que quiser! Boris ficou com enorme margem política. Agora já não há mais desculpas", afirmou Francisco Bethencourt, historiador e professor do King's College, em Londres.

Do lado dos trabalhistas, a maioria preferiu aguardar pelos resultados finais para comentar o futuro de Corbyn à frente do partido, mas antes da 1h00 já Gareth Snell, candidato do Partido Trabalhista pelo círculo eleitoral de Stoke-on-Trent Central, expressava publicamente a vontade de ver a demissão de Corbyn. Em declarações à BBC, culpou-o pelo desempenho "desastroso" do partido nestas eleições.

Já Phil Wilson afirmou que era uma "mentira absurda" sugerir que o Brexit era a causa da queda dos trabalhistas.

"A liderança de Jeremy Corbyn é um problema maior. Dizer o contrário é delírio. A liderança do partido caiu como um balão de chumbo", atacou Phil Wilson.

Passavam poucos minutos das 3h00 quando, em Islington, Jeremy Corbyn soube que tinha ganhado o seu círculo eleitoral, com 34.603. Um resultado agridoce que não vai permitir que se mantenha na liderança do Partido Trabalhista até às próximas eleições gerais.

"Não vou liderar o partido numa futura campanha para eleições gerais. Vou discutir com o partido para garantir que há um processo de reflexão sobre os resultados e sobre as políticas futuras", revelou Jeremy Corbyn.

Logo a seguir foi a vez de Boris Johnson saber que venceu no seu círculo eleitoral, Uxbridge e Ruislip South, com 25.351 votos. No discurso de vitória, o líder conservador sublinhou que a grande subida do partido nestas eleições lhe vai permitir ter um "mandato poderoso" para concretizar o Brexit.

"Cumprir o Brexit, mas também unir o país e focar nos assuntos importantes para os britânicos. Esse trabalho começa hoje. Vamos respeitar a vontade democrática dos britânicos", acrescentou o líder do Partido Conservador. ao

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