Infeção simultânea. "Flurona" não é "extraordinária" nem uma mistura de genomas de dois vírus

O microbiologista espanhol José Antonio López Guerrero garante que "'flurona' não uma quimera formada pela mistura de genomas de dois vírus, mas uma infeção simultânea de ambos".

Um microbiologista espanhol disse na segunda-feira que o contágio simultâneo pelo SARS-CoV-2 e pelo vírus influenza ("flurona"), não é "extraordinário" nem uma mistura de genomas dos dois vírus, garantindo que infeções mistas podem ser subdiagnosticadas.

José Antonio López Guerrero, diretor do Departamento de Cultura Científica do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa e diretor do Grupo de Neurovirologia da Universidade Autónoma de Madrid (UAM), explicou o que é "flurona", termo que surge da junção das palavras "flu" (gripe, em inglês) e "coronavírus".

"'Flurona' não uma quimera formada pela mistura de genomas de dois vírus, mas uma infeção simultânea de ambos", disse à agência de notícias EFE, adiantando que "não precisa de ser extraordinário" devido à disseminação da variante Ómicron da Covid-19.

De acordo com José Antonio López Guerrero, os casos de infeção mista são quase "indetetáveis", a menos que seja feita uma busca específica pelo genoma do vírus da gripe.

"Certamente houve mais casos do que os detetados, mas não foram procurados. Se uma pessoa com certos sintomas de gripe passa por um teste de diagnóstico de SARS-CoV-2 e dá positivo, a mesma para de procurar outros patogénicos. As infeções mistas podem ser subdiagnosticadas", indicou.

O académico lembrou que as medidas de proteção contra a Covid-19 têm protegido a população de outros vírus respiratórios, sustentando que foram detetados "muitos poucos casos de influenza, vírus sincicial respiratório e outros patogénicos que são transportados através do ar".

Questionado sobre a gravidade da infeção por dois ou mais tipos de vírus em simultâneo, José Antonio López Guerrero recordou que "não é matemático que dois vírus se somam clinicamente" e que a mulher israelita "praticamente não apresentava sintomas".

"Os sintomas de uma infeção mista variam, dependendo da carga viral com a qual se está infetado com cada um dos vírus e também idade, estado imunológico, outras patologias sofridas... Também pode influenciar se já passamos ou não da infeção por coronavírus, se formos vacinados contra um ou ambos os vírus. Casos mais graves podem ocorrer ocasionalmente, mas há muita discussão em torno das infeções", disse.

Antonio López Guerrero indicou ainda que, além da vacinação de grupos de risco contra a gripe, as pessoas devem continuar a usar máscaras, a manter o distanciamento social, a higienizarem-se, a evitarem locais mal ventilados e a completarem a vacinação contra a Covid-19.

"A infeção mista não tem, em princípio, o perfil de uma pessoa mais suscetível, embora obviamente os vacinados contra o coronavírus e o influenza devam ter uma janela estreita de positividade para ambos os vírus e, caso sofram, devem ser infeções praticamente assintomáticas ou silenciosas", garantiu.

Israel detetou o seu primeiro caso de contágio simultâneo pelo coronavírus SARS-CoV-2 e pelo vírus influenza, conhecido como "flurona", numa mulher grávida não vacinada, confirmou no domingo o Ministério da Saúde israelita à agência de notícias EFE.

A mulher recebeu alta a 30 de dezembro após ser tratada a sintomas ligeiros derivados dessa infeção dupla (gripe e Covid-19), acrescentou o jornal Times of Israel.

Os casos de "flurona" terão sido detetados pela primeira vez nos Estados Unidos, durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19.

Os especialistas do Ministério da Saúde israelita acreditam que haja casos semelhantes, ainda não identificados, quando quase duas mil pessoas estão internadas por gripe e ao mesmo tempo os casos positivos da variante Ómicron do SARS-CoV-2 estão a aumentar no país.

Na segunda-feira, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) disse não ter registo de casos de infeção simultânea pelos vírus que provocam a gripe e a Covid-19, mas admitiu que estas situações ocorram, face ao previsível aumento da atividade gripal.

"Com o aumento da circulação do vírus da gripe e a continuação da circulação do SARS-CoV-2, as coinfeções podem vir a ser detetadas", disse à Lusa Raquel Guiomar, responsável pelo laboratório nacional de referência para o vírus da gripe e outros vírus respiratórios do Departamento de Doenças Infecciosas do INSA.

"Em Portugal ainda não detetámos casos de infeção pelo vírus da gripe e por SARS-CoV-2. A pesquisa de SARS-CoV-2 e gripe está a ser feita em paralelo em todas as amostras do programa nacional vigilância da gripe e de outros vírus respiratórios e não foram detetadas coinfecções Covid/influenza", adiantou Raquel Guiomar.

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