Catorze civis mortos em ataque de rebeldes islamitas ugandeses na RDCongo

O nordeste da República Democrática do Congo está há anos mergulhado num conflito armado, alimentado por rebeldes e ataques de soldados do Exército, apesar da presença das forças militares das Nações Unidas.

Pelo menos catorze civis morreram, na última noite, num novo ataque atribuído aos rebeldes islamitas ugandeses das Forças Democráticas Aliadas (ADF) no nordeste da República Democrática do Congo (RDCongo), afirmaram à agência Efe fontes militares.

Os ataques dos rebeldes ocorreram nas cidades de Tshani Tshani e Mapsana, na província de Ituri, onde estes supostamente se infiltraram entre a população, disseram os mesmos elementos da sociedade civil e das forças armadas.

Segundo os depoimentos dos vizinhos que conseguiram escapar com vida, a presença dos rebeldes vinha a ser relatada desde a noite de sexta-feira, tendo alegado que "alertaram o Exército, mas não houve reação", disse o coordenador dos grupos da sociedade civil em Ituri, Jean Bosco Lalo, num contacto telefónico com a Efe.

Para o ativista, o alerta não foi levado a sério e a tragédia aconteceu.

"É isso que lamentamos, o Exército não está tão próximo da população", disse.

Também por telefone, o porta-voz do Exército, tenente Jules Ngongo, afirmou que as Forças Armadas da RDCongo (FARD) lamentam o incidente, mas criticam a população por "não os avisar a tempo".

"Acabámos de entrar, mas as nossas forças já estão lá e estamos a investigar quem são os nossos inimigos", salientou o militar.

Este ataque ocorreu, depois de, a 1 de setembro, pelo menos quatro civis terem morrido e 60 reféns terem sido libertados, após a ADF ter feito uma emboscada a um comboio de comerciantes em Ituri, apesar de ser escoltado pelo Exército e por elementos da missão das Nações Unidas no país (Monusco).

A ADF começou sua campanha violenta em 1996 no oeste de Uganda como resposta à política do regime do Presidente ugandês, Yoweri Museveni, que acusavam de ser contra os muçulmanos, até que o Exército forçou a sua retirada para a fronteira com a RDCongo.

A partir daí, fizeram incursões no território congolês, no último ano mais frequentes e violentas, aproveitando a geografia montanhosa que lhes permite esconder-se das operações militares e da Monusco, que conta com mais de 14.000 efetivos.

O programa da ADF é vago e existe uma ligação com a organização jihadista Estado Islâmico, que às vezes se responsabiliza por alguns dos seus ataques.

A 15 de agosto, o presidente da RDCongo, Felix Tshisekedi, autorizou as forças especiais dos Estados Unidos a ajudarem o exército congolês a combater a ADF, grupo considerado pelos EUA como "terrorista".

Em resposta à violência, Kivu Norte e Ituri estão desde 6 de maio sob cerco e administração militar.

De acordo com os últimos dados publicados pela Kivu Security Tracker, desde 2017 a ADF causou mais de 980 vítimas por "morte violenta" em mais de 170 ataques, apesar de outras organizações atribuírem a este grupo milhares de mortes.

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