"Choque colossal." Carta de Centeno à UE alerta para risco de "fragmentação"

Mário Centeno demarca-se da posição da Comissão Europeia e da linha dura dentro do próprio Eurogrupo, dos que se opões aos agora chamados coronabonds.

O presidente do Eurogrupo emitiu um aviso aos seus parceiros da zona euro, sobre uma potencial "fragmentação", se não houver resposta ao "choque colossal", provocado pela Covid-19.

Nunca fala explicitamente em emissão de dívida conjunta, mas Mário Centeno já avisou os ministros de toda a União Europeia que deverão estar abertos à "discussão de propostas concretas, justificadas e eficazes, que possam ajudar a intensificar a resposta" da zona euro à crise do coronavírus,

O presidente do Eurogrupo considera que toda a Europa "sairá com níveis de dívida muito maiores", no final da pandemia. Por isso, espera que a par da utilização dos instrumentos de flexibilidade já existentes, a União Europeia possa considerar alternativas".

No texto consultado pela TSF, Mário Centeno demarca-se da posição da Comissão Europeia e da linha dura dentro do próprio Eurogrupo, dos que se opões aos agora chamados coronabonds.

A presidente do executivo, Ursula von der Leyen tem vindo a defender que já estão em marcha "instrumentos" de resposta à crise do coronavírus, como a redefinição de verbas, a flexibilidade das ajudas estatais ou a suspensão da regra da disciplina orçamental.

Mas, para a presidente do executivo comunitário, os coronabonds não passam de um slogan e a emissão de dívida conjunta prende-se com a questão mais ampla das garantias. E neste ponto considera justificadas as preocupações da Alemanha, mas também em outros países,

Áustria, Finlândia e Países Baixos opõem-se aos coronabonds. A estes junta-se também o presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, que numa entrevista ao Financial Times, afirma que a emissão de dívida conjunta nunca poderia fazer parte de uma resposta imediata, já que este instrumento só estaria pronto daqui a "três anos".

Mas, na próxima semana, Mário Centeno vai novamente colocar os ministros das Finanças da zona euro, em frente ao ecrã, numa videoconferência, a que se juntarão os ministros das Finanças das restantes economias da União Europeia, para lhes dizer que "devem ser exploradas formas de usar os instrumentos existentes, mas [também] devem ser considerada alternativas, onde as primeiras se revelam inadequadas".

"Inevitavelmente, todos sairemos da crise com níveis de dívida muito maiores", constata Mário Centeno, desejando que "esse efeito e suas consequências duradouras não devam tornar-se uma fonte de fragmentação".

Na carta que dirigiu a todos os ministros da UE, Centeno salienta que "o custo orçamental", da resposta para "melhorar os sistemas de saúde, fornecer liquidez às empresas (...) e substituir a rendimento dos trabalhadores demitidos será proporcional a esse choque colossal".

"A maneira como lidamos com esse fardo comum determinará a nossa capacidade de conter a doença, bem como a forma e a extensão da recuperação e, finalmente, a coesão da Área do Euro", alerta.

O português que lidera o Eurogrupo espera que seja possível "encontrar um terreno comum", nomeadamente no contexto do "diagnóstico da situação", para "comparar e avaliar criticamente diferentes opções".

"As propostas diferentes devem ser consideradas em conjunto", defende Centeno, propondo que "à luz disso, aceleremos o trabalho que iniciamos sobre o possível uso dos recursos e instrumentos do MEE e do BEI".

No final da reunião da próxima semana, Centeno espera ter conseguido um consenso suficiente, para dizer a Von der Leyen que o Eurogrupo está pronto "para discutir novas propostas da Comissão", ficando implícita a ideia dos chamados coronabonds.

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