Caos em Veneza. "Estamos a um passo do apocalipse"

As cheias de Veneza atingiram esta noite 1.87 metro e causaram dois mortos. Presidente da Câmara culpa as alterações climáticas. O responsável pela Basílica de São Marcos fala em Apocalipse.

"Estamos à beira do Apocalipse", afirma Pierpaolo Capostrin curador da Basílica de São Marcos, explicando como a água atingiu o monumento durante a noite. Depois das cheias atingirem 1,65 metros, a água entrou na basílica e alagou o pavimento e partindo as janelas entrou na cripta. O perigo não é tanto os danos causados nos bens no que estão no interior, mas a água pode criar problemas permanentes nas colunas que sustentam a basílica."

O governador da região de Veneto, Luca Zaia, disse que uma pessoa morreu, embora a causa não seja clara. A imprensa italiana dá conta de um segundo morto na Ilha de Pellestrina, em frente a Veneza, um homem de 78 anos morreu eletrocutado quando tentava ligar as bombas para escoar água do interior da casa. A ilha continua completamente inundada.

A marca da água atingiu 1,87 metros na terça-feira, o que significa que mais de 85% da cidade foi inundada. O nível mais alto registado até agora foi de 1,98 metros durante as inundações em 1966.

Na terça-feira, grande parte da cidade estava submersa e a famosa Basílica de São Marcos estava inundada, levantando novas preocupações sobre os danos aos mosaicos e outras obras de arte que estão no seu interior.

Giuseppe Conte anunciou no Twitter que esta tarde irá visitar a cidade.

Também vítima das inundações foi centro de monitorização das marés que ficou com as linhas telefónicas cortadas, como anunciou na sua conta de Twitter.

As autoridades estimam uma segunda inundação que pode chegar até aos 1,60 metros a meio da manhã de hoje.

O presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro, culpou as alterações climáticas pela "situação dramática" e pediu a rápida conclusão de um projeto que está atrasado para a construção de barreiras exteriores.

Projeto polémico

Chamadas de "Moisés", as barreiras móveis submarinas destinam-se a limitar as inundações na cidade, causadas por ventos de sul que empurram a maré para Veneza.

No entanto, o polémico projeto tem a oposição dos ambientalistas que estão preocupados com os danos no ecossistema da lagoa. O projeto foi adiado devido aos custos excessivos e escândalos de corrupção.

A chuva intensa tem caído desde terça-feira em Itália, afetando em particular as regiões da Sicília, Calábria e Basilicata e Veneza, que se confrontou também com uma 'acqua alta' (maré alta) excecional.

São Marcos inundada pela sexta vez em 1200 anos

Em Veneza, a célebre praça de São Marcos está submersa devido também à maré alta excecional, situação que deverá durar até sábado.

O vestíbulo da basílica de São Marcos, joia da cidade, também foi inundado e o seu procurador (autoridade local), Pierpaolo Campostrini, preveniu os turnos de guarda para vigiarem a subida da água. Apesar das cheias serem recorrentes na cidade esta é a sexta vez que a basílica é inundada desde o início da construção em 828.

Segundo Campostrini, uma inundação como a de terça-feira ocorreu apenas cinco vezes na história da basílica -- erigida em 828 e reconstruída depois de um incêndio em 1063 -, com o dado mais preocupante de três destas cinco situações terem ocorrido nos últimos 20 anos, com a última a verificar-se em 2018.

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