
O cidadão belga viajou no A380 que repatriou os 17 portugueses da região de Wuahan
AFP
As autoridades belgas identificaram esta terça-feira o primeiro caso de coronavírus no país.
O cidadão belga, que não apresenta sintomas, mas "deu positivo", em duas vezes, "no primeiro teste e no de controlo" ao cornonavírus, que é feito "sempre", viajou no A380 que repatriou os 17 portugueses da cidade de Wuahan.
As autoridades de saúde anunciaram hoje que foi detetado o primeiro caso de coronavírus em Bruxelas, num paciente repatriado no avião que aterrou no domingo, na base militar francesa em Istres, com cidadãos europeus, entre os quais, os 17 portugueses que foram repatriados da região chinesa onde se regista o epicentro do contágio.
A ministra belga da Saúde, Maggie De Block anunciou esta manhã que já contactou as autoridades de "todos os outros países", com cidadãos repatriados no mesmo avião, para lhes dar conta da presença do vírus num passageiro.
Trata-se de um doente sem sintomas, mas as análises laboratoriais indicam que este está infetado, tendo nos dois testes realizados, sido detetada a presença do vírus.
"Os testes nasais foram examinados no laboratório de Lovaina. E, durante a noite recebemos os resultados e há uma pessoa - alguém que deu positivo duas vezes, porque há sempre um [teste] de controlo", anunciou esta manhã Maggie De Block.
O doente foi primeiramente examinado o hospital militar Reigne Astrid, que estava preparado para acolher os viajantes durante o período de quarentena. Acabando por ser transferido para um hospital especializado, assim que se detetou o contágio, adiantou o infecciologista, Dr. Patrick Soentjens, dizendo que o doente não apresentava outras questões de diagnóstico relevantes.
"Transferimos esse paciente para o centro de referência, que é o Hospital de Saint Pierre. Fizemos isso esta noite. O paciente foi transportado sem problemas e estava calmo, antes de ser deslocado", disse o infecciologista.
Total transparência
Em declarações, recolhidas em Lisboa, pela TSF, a Direção-geral de Saúde não confirma que o belga infetado com coronavírus tenha viajado no A380 fretado pela União Europeia. Mas as autoridades belgas tornaram claro que, num plano de "total transparência" sobre o vírus, infomraram "Portugal e todos os paises", com passageiros a bordo do A380, que viajou de Beja, com tripulação portuguesa, para resgatar europeus da região de Wuhan.
"A Bélgica informou todos os países que tinham passageiros a bordo. Foi feito imediatamente através do sistema de alerta rápido da União Europeia. E, a Bélgica declarou de imediato que um dos nossos repatriados que estava em quarentena, no nosso país, tinha dado positivo nos testes e que tínhamos obtido o resultado por volta da meia noite", disse o porta-voz da ministra belga da Saúde, contactado em Bruxelas, pela TSF, esclarecendo que a informação foi passada "de imediato".
Contágio
O porta voz, afirmou que "dadas as condições do voo, o risco é muito limitado, mas nós somos obrigados a transmitir a informação a Portugal, e a todos os outros países. E, nós fizemos-lo imediatamente, assim que o soubemos, tanto aos Estados-Membros, como à Organização Mundial de Saúde".
Esta manhã, um virologista do hospital Militar Reigne Astrid, Steven Van Gucht afirmou, no mesmo sentido, que a hipótese de contágio a outros passageiros do avião A380, que saiu de Beja, com tripulação portuguesa, e que também repatriou os 17 Portugueses da região de Wuhan são, ainda assim, remotas.
"Esta pessoa teve muito pouco contacto com os outros, dentro do grupo. Por isso, calculamos que seja muito pouco provável que as outras pessoas tenham sido contaminadas por esta com resultado positivo do vírus", assegurou Steven Van Gucht.
As restantes oito pessoas "vão permanecer em quarentena", no hospital militar, onde vão ser "analisadas regularmente", na expectativa de que "possamos estar cada vez mais seguros de que continuam [com resultados] negativos e podem sair da quarentena, como previsto", afirmou o virulogista, Steven Van Gucht.
Um dado relevante, que surpreende até a equipa de especialistas, é que o doente não apresenta qualquer sintoma, embora seja portador do vírus, que já matou mais de 426 pessoas, e infetou mais de 20.400 desde que, há poucas semanas, foi detetado na China.
"É estranho, mas é verdade, esta pessoa não tem sinais da doença, não está em pânico, pelo contrário, sente-se bem", disse a ministra Maggie De Block, precisando que até ser detetado na Bélgica, o vírus deste paciente escapou a duas equipas de controlo.
"Antes de embarcar, foi visto por médicos franceses e chineses", detalhou, dizendo que o mesmo procedimento foi realizado para "todas as pessoas que estavam no avião, as quais foram controladas, ao nível dos sintomas de doença".
O doente está a ser tratado no piso 309 do Hospital de Saint Pierre, onde funciona o serviço de doenças infecciosas. Nesta unidade, uma equipa especializada esteve e formação, desde que começou a verificar a possibilidade da transmissão intercontinental do vírus.
Ao que a TSF apurou, como medida de prontidão para responder à eventual propagação da doença, o Hospital de Saint Pierre encerrou uma unidade de cuidados intensivos para uma primeira resposta, tendo dez camas disponíveis para casos potencialmente graves.