Dos problemas de manutenção aos ninhos de insetos. O perigo dos aviões parados durante a pandemia

Depois de muitos meses parados, o regresso dos aviões à operacionalidade implica vários riscos, alertam especialistas.

O setor da aviação foi um dos mais drasticamente atingidos pela pandemia de Covid-19 que vivemos. Com os países a fecharem fronteiras e a imporem restrições às deslocações - quer a nível nacional, quer internacional - o número de voos realizados sofreu uma descida brutal e as companhias aéreas foram obrigadas a deixar de utilizar muitas das suas aeronaves. Uma paragem forçada que pode trazer sérios riscos, quando voltamos a voar.

Houve uma forte subida no número de problemas reportados, agora que muitos aviões estão a voltar ao serviço. A realidade é que os aviões nunca estiveram parados tanto tempo como nesta pandemia - e, em alguns casos, as aeronaves armazenadas são de modelos novos, o que significa que os seus potenciais problemas ainda não são bem conhecidos.

Os especialistas deixam, por isso, um alerta às companhias aéreas: é preciso muito cuidado na reativação destes aviões que estiveram parados por causa da pandemia.

Um dos primeiros fatores em causa é o facto de os pilotos estarem "enferrujados", depois de meses e meses sem voar. De acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), registou-se um aumento do número de aterragens mal conseguidas - que, no pior dos casos, podem acabar em choques e acidentes aéreos. Foi o que aconteceu em maio, quando uma aterragem mal conseguida de um avião da Pakistan International Airlines causou a morte de 97 pessoas, e em agosto, numa situação semelhante com um avião da Air India Express, que provocou 18 mortos).

Citado pela BBC News, Greg Waldron, especialista da revista de aviação FlightGlobal, nota que pilotar um avião "não é como andar de bicicleta" e que os pilotos precisam de ter cuidados redobrados quando regressam à operacionalidade. Recomenda, por isso, que as companhias áreas invistam em voos de simulação antes de enviarem os seus pilotos de regresso em serviço.

Também a rotina de manutenção dos aviões é um dos aspetos que merece muita atenção. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) indica que estão a ser reportados casos de leituras erradas de velocidade e de altitude, durante os primeiros voos após esta paragem prolongada. Em muitos casos, estes episódios estão a obrigar os aviões a abortarem os voos e a retornarem à base.

A juntar à lista de fatores problemáticos, há os ninhos de insetos que se instalaram nas aeronaves enquanto estas estiveram paradas. Segundos os especialistas ouvidos pela BBC, são os insetos que se infiltram na maquinaria dos aviões os responsáveis por muitos dos problemas que têm sido reportados na aviação recentemente.

Greg Waldorn garante, no entanto, que todas estas são complicações das quais as companhias aéreas estão conscientes, e considera que estas estão já a tomar as medidas necessárias para resolvê-las. Por isso, desde que haja cuidado, nada haverá a temer. Viajar de avião vai continuar a ser seguro, acredita.

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