"É inaceitável que exista tanta subnutrição infantil e extrema pobreza em Timor"

José Ramos Horta toma esta quinta-feira posse como sétimo presidente de Timor-Leste, horas antes de o país assinalar o 20º aniversário da independência.

Eleito com mais de 60% dos votos, liderou a resistência diplomática contra a Indonésia, foi Prémio Nobel da Paz, primeiro-ministro e agora chefe de estado. José Ramos Horta diz que o caminho não foi fácil, mas faz um balanço positivo destes 20 anos.

"20 anos é pouco na vida de um país, sobretudo de um país que nasceu de 24 anos de um conflito muito violento, de uma grande tragédia que chega ao genocídio, como já foi classificado no passado, e total destruição de infraestruturas que existiam. Foi preciso primeiro reconciliar os corações, sarar feridas, normalizar relações com a Indonésia, construir um estado onde não existia, construir as instituições do estado e lançar as bases da economia e desenvolvimento", disse, em declarações à TSF.

Ramos Horta aponta números que mostram de que forma o país evoluiu. "Em 2002 havia 20 médicos timorenses e hoje temos quase 1200 espalhados por todo o país; tínhamos um timorense a terminar o doutoramento, havia uma única universidade e hoje temos 16 universidades privadas e uma pública, o total de estudantes universitários é de 65 mil, temos doutorados de vários países. A esperança de vida em 2002 era de 58 anos de idade, hoje a esperança de vida para uma mulher é de 71 anos".

Mas nem tudo é positivo, a extrema pobreza e a má nutrição infantil continuam a ser alguns dos problemas mais graves de Timor Leste. José Ramos Horta explica quais os objetivos para os próximos 5 anos, como a adesão à Associação de Nações do Sudeste Asiático e aponta o que considera serem os principais problemas de Timor.

"Há falhanços graves, por exemplo, na luta contra a extrema pobreza reduzimos de 60% no início da independência para 40% mas continua muito elevado; há muita subnutrição infantil e é inaceitável. Daqui a 5 anos quero eliminar totalmente a subnutrição infantil, as nossas consciências obrigam-nos a isso, se é que temos consciência.... O país tem recursos financeiros, tem paz, não há justificação para que exista tanta subnutrição infantil e extrema pobreza em Timor. "

Marcelo Rebelo de Sousa marcará presença na cerimónia de tomada de posse do presidente timorense. José Ramos Horta diz que espera poder visitar Portugal ainda este ano e sublinha a importância da relação entre os dois países. "Portugal tem sido um dos melhores amigos de Timor-Leste, Portugal nunca hesitou e é de todo o interesse de Timor manter as melhores relações com Portugal, através daqui temos acesso à União Europeia, apoiantes na Comissão e na União Europeia".

A cerimónia de tomada de posse de José Ramos Horta está marcada para as 21h da noite desta quinta-feira em Timor-Leste, menos oito horas em Portugal, com um jantar no Palácio Presidencial, oferecido pelo presidente cessante Francisco Guterres Lú-Olo. Às 21h30 está previsto o arranque da sessão plenária solene no Parlamento para a cerimónia de investidura do novo chefe de estado.

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