Estado de saúde do papa. "Não é para preparar ainda obituários. Alguns talvez o esperem"

D. Carlos Azevedo, bispo português da diocese de Roma e delegado do Conselho Pontifício para a Cultura, foi entrevistado por Fernando Alves esta manhã na TSF. Ouça a conversa sobre o estado de saúde do papa, o legado que tem assegurado e o futuro que ainda lhe cabe.

O chefe da igreja católica foi internado para ser submetido a uma operação cirúrgica aos intestinos. Fernando Alves esteve esta manhã à conversa com D. Carlos Azevedo, bispo português da diocese de Roma e delegado do Conselho Pontifício para a Cultura, sobre as dores de caminhada de um papa que tem marcada para breve uma deslocação à Eslováquia e à Hungria.

Na Manhã TSF, o bispo discorreu sobre os riscos que corre a Igreja se a saúde do Papa o obrigar a reduzir drasticamente a atividade ou mesmo a resignar. "É um momento em que não é para preparar ainda obituários. Alguns talvez o esperem, na expectativa de voltarem atrás."

"A secularização galopante da igreja exige uma presença inovadora", diz, no entanto, D. Carlos Azevedo.

D. Carlos Azevedo elogia no papa Francisco "a cultura do encontro, olhando para as periferias", e com horizontes de mundo que vão além das 33 viagens internacionais e das 25 viagens dentro da Itália. O legado de Francisco passa ainda pela reforma da Curia, pela reforma do sistema económico e financeiro, e pela luta contra a chaga dos abusos. Na perspetiva do bispo e delegado do Conselho Pontifício para a Cultura, o papa mantém, "apesar da idade, a vitalidade de querer encontrar-se com cada pessoa".

Sempre atento à realidade internacional e à realidade do mundo, o chefe da igreja católica tem olhado mais para os pobres e desfavorecidos, sublinha Carlos Azevedo. E, apesar das mazelas físicas, Francisco continua a "surpreender com contactos e iniciativas novos, com vitalidade", demonstrando que a saúde frágil não o desvia do caminho para chegar a uma "fraternidade universal e a uma diplomacia da paz".

O papa emitiu recentemente novas regras de combate à corrupção. As novas diretrizes implicam que os cardeais e gestores do Vaticano declarem periodicamente que investem apenas em fundos compatíveis com a doutrina católica e que não estão sob investigação criminal ou têm dinheiro em paraísos fiscais, mas D. Carlos Azevedo garante que "não há uma reação negativa" dentro da igreja. Existe em vez disso, como refere, uma ala mais conservadora quererá ter no papa o "guardião da doutrina muito conservadora", e não "o que é necessário neste momento da História".

Se por acaso o papa vier a ficar debilitado, os 101 cardeais que veio a criar garantem uma certa linha de continuidade, juntamente com os 79 eleitores que reúne, assegura o bispo português da diocese de Roma e delegado do Conselho Pontifício para a Cultura, que, nesta conversa com Fernando Alves, deixou algumas palavras de tranquilidade.

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