EUA acusam Rússia de usar central nuclear como base militar

Secretário de Estado dos EUA considerou que a invasão russa da Ucrânia é um ataque direto ao sistema de não-proliferação nuclear.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, acusou esta segunda-feira a Rússia de estar a utilizar a central nuclear ucraniana de Zaporijia, que controla desde março, como base militar para lançar ataques.

"A Rússia está a usar a central [de Zaporijia] como base militar para disparar sobre os ucranianos, sabendo que [os ucranianos] não podem e não vão responder porque poderiam atingir um reator nuclear e resíduos altamente radioativos armazenados", disse Blinken num discurso na sede das Nações Unidas.

"Isto eleva o conceito de usar um escudo humano a um nível totalmente distinto e horrendo", insistiu o chefe da diplomacia de Washington, que representou o seu país na abertura de uma conferência para a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNPN).

Blinken considerou que a invasão russa da Ucrânia, para além de uma grave violação do direito internacional, é um ataque direto ao sistema de não-proliferação nuclear, ao contrariar as garantias de segurança que Moscovo forneceu a Kiev em 1994 para que renunciasse ao arsenal nuclear herdado do União Soviética.

Segundo assegurou, esta situação emite "a pior mensagem possível" para todos os países que estão a pensar se necessitam de armas nucleares para se protegerem.

Blinken também acusou o Presidente russo, Vladimir Putin, de utilizar a "cartada" das armas nucleares do seu país para dissuadir outros de intervirem no conflito ucraniano.

Segundo sublinhou, os Estados Unidos - que com a Rússia é o país com mais armas nucleares - continuam comprometidos na redução do seu arsenal e a assegurar que este tipo de armamento não voltará a ser utilizado.

Nesse sentido, destacou o acordo que, apenas duas semanas após assumir o poder, o Presidente norte-americano Joe Biden assinou com Putin para prolongar até 2026 o acordo New Start, e a sua disposição para negociar um novo texto que substitua esse tratado que limita o número de armas nucleares estratégicas dos dois países.

Blinken considerou que a conferência para rever o TNPN ocorre num "momento-chave", incluindo devido à ameaça colocada pelo programa nuclear da Coreia do Norte e enquanto se tenta concluir com o Irão um regresso ao acordo nuclear de 2015, após a retirada unilateral dos EUA em 2018 durante a presidência de Donald Trump.

Para Blinken, a recuperação desse tratado "continua a ser o melhor resultado para os Estados Unidos, para o Irão e para o mundo".

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de cerca de 16 milhões de pessoas de suas casas - mais de seis milhões de deslocados internos e quase dez milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa - justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou que 5.237 civis morreram e 7.035 ficaram feridos na guerra, que esta segunda-feira entrou no seu 159.º dia, sublinhando que os números reais deverão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a zonas cercadas ou sob intensos combates.

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