Explosivos em voo da TAP para Caracas? Portugal rejeita acusação da Venezuela

Governo venezuelano justificou detenção do tio de Juan Guaidó com a tentativa de entrar na Venezuela com explosivos C4 e apontou o dedo à TAP e a Portugal.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, não vê "sentido" nas acusações feitas pelo Governo venezuelano contra Portugal e a TAP depois de ter sido tornado público que o tio de Juan Guaidó, Juan José Marquez, foi detido ao chegar a Caracas na última terça-feira por transportar consigo material perigoso identificado como "explosivo sintético C4".

O voo a bordo do qual os Guaidó - tio e sobrinho - chegaram à capital venezuelana era da TAP, o que levou o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, a deixar críticas à companhia aéra portuguesa, acusando-a de ter ajudado à entrada de explosivos no país, e ao embaixador português em Caracas.

"Tenho uma notícia: foi detido um senhor, que trazia material muito perigoso dentro do avião", acrescentou o político, durante um programa transmitido pela televisão estatal venezuelana na terça-feira à noite.

O presidente da Assembleia Constituinte, composta unicamente por apoiantes do regime venezuelano, acrescentou que Juan José Marquez "violou as normas da Aeronáutica Civil e entrou com um colete anti-bala, proibido" no país.

Diosdado Cabello, considerado o segundo homem mais forte do chavismo, depois do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, indicou que o tio de Juan Guaidó "trazia umas lanternas táticas, que continham no interior, no compartimento das pilhas, substâncias químicas de natureza explosiva, presumivelmente explosivo sintético C4".

Cabello mostrou, na televisão estatal, fotografias dos alegados explosivos e de algumas cápsulas de perfumes que, em vez de fragrâncias, transportariam também C4. "A linha aérea... Não são nenhuns santos. Como se chama? TAP. Não são nenhuns santos", atirou o político venezuelano.

Segundo Cabello, também não havia qualquer referência a Juan Guaidó na lista de passageiros. "Os portugueses pensam que somos idiotas."

Na resposta às alegações contra o Governo português, de que existiu qualquer "ação ou omissão", o ministro dos Negócios Estrangeiros reforça que tal "não tem nenhum sentido". Para o chefe da Diplomacia portuguesa, a detenção de tio de Juan Guaidó, que está acusado de terrorismo, é uma "tentativa de intimidação" ao autoproclamado presidente venezuelano.

"A posição de Portugal e da UE é simples: a gravíssima crise que se vive na Venezuela e que afeta quase um milhão de venezuelanos também com nacionalidade europeia não se resolve com intimidações e detenções arbitrárias", remata.

Na terça-feira, o líder da oposição venezuelana Juan Guaidó denunciou o desaparecimento, no mesmo dia, do tio Juan José Márquez, depois de ter sido intercetado pelas autoridades aduaneiras, na chegada a Caracas, no final de uma deslocação internacional de 23 dias.

O Centro Nacional de Comunicação (CNC) de Guaidó denunciou, na rede social Twitter, "o desaparecimento de Juan José Márquez" e exigiu "a libertação" do tio de Guaidó, que acompanhava o opositor "no momento da chegada à Venezuela".

"Depois de passar pela migração normalmente e estar prestes a sair, Márquez foi detido por uma suposta revisão do Seniat [Serviço Nacional Integrado de Alfândega e Administração Tributária]", de acordo com a mesma mensagem.

O presidente do parlamento da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, chegou na terça-feira à Venezuela, tendo sido agredido por simpatizantes do regime venezuelano.

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