Filipinas cancelam acordo com Rússia para compra de helicópteros militares

Devido ao agravamento da degradação das relações entre EUA e Rússia, Delfin Lorenzana referiu que as Filipinas "poderíam enfrentrar sanções" se prosseguissem com o acordo.

O governo das Filipinas cancelou um acordo com a Rússia para a compra de 16 helicópteros de transporte militar, devido aos receios de possíveis sanções dos Estados Unidos, revelaram esta quarta-feira autoridades filipinas à agência Associated Press (AP).

O ex-secretário da Defesa, Delfin Lorenzana, revelou na terça-feira à noite que cancelou o acordo de 12.700 milhões de pesos (cerca de 227 milhões de euros) para adquirir os helicópteros Mi-17, decisão tomada no mês passado e aprovada pelo então Presidente Rodrigo Duterte, antes dos mandatos destes governantes terminarem em 30 de junho.

"Poderíamos enfrentar sanções", explicou Delfin Lorenzana à AP, descrevendo que Washington poderia expressar o seu descontentamento se as Filipinas prosseguissem com o acordo, devido ao agravamento da degradação das relações entre EUA e Rússia.

As autoridades de segurança norte-americanas estavam cientes da decisão de Manila e podem oferecer helicópteros de carga pesada semelhantes, para uso militar filipino, explicou.

Após ter servido como responsável máximo da Defesa, no governo do Presidente Rodrigo Duterte, Lorenzana foi nomeado pelo novo chefe de Estado, Ferdinand Marcos Jr., para liderar uma agência governamental encarregada de transformar antigas bases militares em centros de negócios.

Já o embaixador filipino em Washington, Jose Manuel Romualdez, referiu à AP que o acordo foi cancelado porque Manila poderia enfrentar possíveis sanções sob uma lei federal dos EUA, caso o acordo dos helicópteros avançasse.

Um oficial militar filipino explicou que o acordo com os russos sobre os helicópteros passaria por um "processo de rescisão", após a decisão de terminar ter sido tomada, visto que foi assinado um contrato.

Os russos podem recorrer, mas haverá pouco espaço para o governo filipino reconsiderar, vincou o oficial militar, que falou à AP sob condição de anonimato.

Sob o acordo de compra de helicópteros, que foi assinado em novembro, o primeiro lote de tinha entrega programada pela empresa russa Sovtechnoexport em cerca de dois anos.

Em março, quando questionado se a invasão da Ucrânia pela Rússia afetaria a compra, Lorenzana referiu, aos jornalistas, que não via como possibilidade o acordo ser destacado.

Na altura, o ex-secretário da Defesa lembrou que tinha sido feito um pagamento inicial pelas Filipinas em janeiro.

Os helicópteros fabricados na Rússia poderiam ter sido utilizados para operações de combate, busca e resgate e evacuações médicas no arquipélago do Sudeste Asiático, que é frequentemente atingido por tufões e outros desastres naturais, indicaram as autoridades filipinas.

Em março, as Filipinas votaram "sim" a uma resolução da Assembleia Geral da ONU que exigia a suspensão imediata do ataque de Moscovo contra a Ucrânia e a retirada de todas as tropas russas.

Manila condenou a invasão e reproduziu o apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, pelo respeito aos princípios humanitários para proteger os civis e a infraestrutura civil na Ucrânia.

Por seu lado, Rodrigo Duterte expressou preocupação com o impacto global da invasão russa, mas não a condenou pessoalmente, enquanto estava no cargo, sendo que o ex-presidente nutria laços estreitos com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, a quem uma vez chamou de seu "ídolo", e com o líder chinês Xi Jinping, criticando também frequentemente as políticas de segurança dos EUA.

As Filipinas são aliadas do tratado de Washington, que impôs pesadas sanções destinadas a pressionar Moscovo a terminar com a ofensiva na Ucrânia.

A aquisição de helicópteros à Rússia estava entre vários acordos para compra de equipamento militar, assinados durante os últimos meses de Duterte no cargo.

Em fevereiro foi assinado um acordo de 32.000 milhões de pesos (cerca de 571 milhões de euros) para adquirir 32 helicópteros S-70i Black Hawk da fabricante aeroespacial PZL Mielec, com sede na Polónia.

Este foi o maior contrato de aquisição de aeronaves militares assinado durante o mandato de Duterte, realçaram autoridades de Defesa filipinas.

Devido a restrições financeiras, as Filipinas lutam há anos para modernizar suas Forças Armadas, uma das mais subfinanciadas da Ásia, para lidar com insurgências muçulmanas e comunistas de décadas e para defender os seus territórios no disputado mar do Sul da China.

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