Relatório oficial prevê falta de combustíveis, comida e medicamentos pós-Brexit

O documento oficial indica que o Governo de Boris Johnson também acredita que uma saída desordeira vai restabelecer a fronteira entre as duas Irlandas.

Chama-se "Yellow Hammer" ["martelo amarelo"] e é apresentado como o relatório mais exaustivo em caso de saída da UE sem acordo. O documento britânico tem o carimbo oficial do Governo, a marca que sinaliza a confidencialidade e as regras de segurança.

O relatório está estampado nas páginas do Sunday Times, e prevê um cenário de falta de combustíveis, comida e medicamentos, e portos engarrafados.

De acordo com o escrito confidencial, 85% dos camiões podem ficar parados no canal da Mancha, travados pelos serviços alfandegários franceses.

Com os camiões parados, o relatório aponta para um congestionamento dos portos, que pode prolongar-se durante três meses, até que a situação esteja normalizada. O documento oficial indica que o Governo de Boris Johnson também acredita que uma saída desordeira vai restabelecer a fronteira entre as duas Irlandas.

O The New York Times sublinha que o relatório, elaborado neste mês de agosto, nem sequer traça o pior cenário. Estas são apenas as consequências mais prováveis de uma saída sem acordo a 31 de outubro.

O gabinete do primeiro-ministro não quis comentar, alegando que não fala de fugas de informação.

Mas, em declarações à Sky News, o ministro da Energia lamentou o alarmismo, considerando que muitas pessoas estão a jogar com o medo. Kwasi Kwarteng garante mesmo que o país estará totalmente preparado para uma saída sem acordo a 31 de outubro.

O relatório oficial é conhecido no dia em que mais de uma centena de deputados escreveram a Boris Johnson, para pedir a convocação imediata do Parlamento, para debater o Brexit.

Os deputados, todos contra a saída do Reino Unido da União Europeia, consideram que o país vive uma emergência nacional. Por isso, defendem que o parlamento tem de estar reunido em permanência, em vez de estar de férias até ao início de setembro.

Mais de 100 deputados britânicos pediram, numa carta divulgada este domingo, ao primeiro-ministro Boris Johnson para convocar imediatamente o Parlamento e voltar a debater o Brexit.

As férias de verão do Parlamento terminam normalmente a 3 de setembro, mas os autores da carta, todos eles opositores do Brexit, defendem que os parlamentares devem estar reunidos em permanência até 31 de outubro, data em que o Reino Unido deve sair da UE.

"O país está à beira de uma crise económica, por nos dirigirmos para um Brexit sem acordo", pode ler-se na missiva. "Estamos perante uma emergência nacional e o Parlamento deve ser convocado de imediato", acrescentam.

Boris Johnson está determinado na saída efetiva do Reino Unido da UE a 31 de outubro, mesmo que sem conseguir renegociar o acordo concluído entre a ex-primeira-ministra britânica Theresa May e Bruxelas.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal formação da oposição, quer apresentar uma moção de censura contra o conservador Johnson, quando o Parlamento retomar os trabalhos.

Corbyn espera, caso consiga derrubar Johnson, ser primeiro-ministro interino para tentar conseguir um novo adiamento da data de saída da UE e evitar um Brexit sem acordo, convocando em seguida eleições antecipadas.

O Governo de Boris Johnson tem uma maioria de apenas um voto no Parlamento britânico.

"O que precisamos é de um Governo que esteja pronto a negociar com a UE para não termos uma saída catastrófica em 31" de outubro próximo, afirmou, no sábado, Corbyn. E o Governo de Johnson "não quer claramente fazer isso", sublinhou.

O Parlamento britânico é composto por duas Câmaras, a dos Comuns e a dos Lordes. A Câmara dos Comuns tem 650 assentos.

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