Inundações em Veneza ameaçam Basílica de São Marcos

A cidade italiana habituou-se a viver com a subida do nível das águas que ocorre todos os invernos, mas este ano as cheias foram maiores do que o habitual e estão causar, para além dos transtornos no quotidiano veneziano, danos numa das pérolas do património italiano.

A cota da água atingiu os 127 centímetros e invadiu, entre outros locais, a nave da Basílica de São Marcos causando danos nas colunas e paredes do edifício. Entre as zonas mais afetadas do santuário, construído no século XI, estão o Batistério e a Capela Zen. É a sexta inundação no interior da Basílica desde que o edifício atual foi construído, há quase 1.000 anos. O alarme foi lançado pelo engenheiro Pierpaolo Campostrini, curador da Basílica.

Depois de a água ter atingido os 70 cm no interior do templo, o engenheiro afirmou que há tentativas de "limitar os danos, se não em todas as zonas, pelo menos nas mais sensíveis".

"Não temos sistemas de defesa para quando a maré é tão alta. Por exemplo, na capela Zen utilizámos barreiras móveis; temos outros instrumentos de defesa passiva, como comportas, que foram adaptadas, e bombas de extração de água. Mas isso é, em grande parte, insuficiente quando a água chega a esta altura", lamenta. Uma das maiores preocupações é para com os mosaicos que cobrem o chão da Basílica.

No Twitter vários utilizadores têm retratado as cheias na cidade.

"Quanto à nave central, as inundações causaram danos nas paredes, mas a água continua a subir, portanto ainda não sabemos concretamente a extensão dos danos. Um terremoto ou o colapso de um prédio são óbvios, mas uma inundação causa danos ocultos: a água desaparece, mas o sal permanece no interior ", lembra o curador.

Para proteger o templo durante o novo máximo da maré, previsto para esta quarta-feira, Campostrini adianta que "o Deão ficará na Basílica com os trabalhadores até que a água desça".

"As previsões são incertas, as coisas podem melhorar, mas também podem piorar, por isso a monitorização in loco é importante. Vamos fazer o que pudermos enquanto esperamos que o Estado cumpra as promessas que fez, da construção de comportas e da impermeabilização da praça ", concluiu o responsável pela conservação da Basílica em declarações ao diário La Repubblica.

O tempo agreste tem afetado a região do Véneto, no nordeste de Itália nos últimos dias e as previsões para os próximos dias não são animadores: espera-se que o nível das águas suba até aos 145 centímetros.

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