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Investigação aponta para autenticidade de e-mails do computador do filho de Biden

Os arquivos que chegaram a ser classificados como parte de uma campanha de desinformação russa, parecem ser, afinal, verdadeiros. O The Washington Post analisou e-mails de Hunter Biden entre 2009 e 2019 e encontrou provas de relações comerciais com a China e a Ucrânia, mas não tem evidências de que Joe Biden tenha sido beneficiado pessoalmente ou tido conhecimento sobre os negócios do filho.

Uma investigação do The Washington Post concluiu que serão verdadeiros os mais de 20 mil e-mails do computador do filho de Joe Biden, que chegaram a ser classificados pelos democratas como parte de uma campanha de desinformação russa e que podem conter informação comprometedora sobre Hunter Biden como consultor de empresas da China e da Ucrânia. O jornal norte-americano recorreu à ajuda de especialistas do Google e de outras empresas tecnológicas para verificar a autenticidade destes documentos.

A maior parte dos e-mails analisados continham mensagens de rotina, boletins políticos, apelos de angariação de fundos, recibos de hotéis, alertas de notícias, anúncios de produtos e imóveis, bem como notificações sobre as escolas das filhas de Hunter Biden.

O Washington Post verificou também trocas de mensagens com parceiros de negócios, assistentes pessoais ou membros da família. Contudo, há também e-mails que parecem confirmar, entre outras relações comerciais, um acordo que Hunter Biden desenvolveu com um conglomerado de energia chinês, CEFC China Energy, pelo qual terá recebido quase cinco milhões de dólares (aproximadamente 4,5 milhões de euros).

Neste caso específico, o jornal norte-americano explica que, de acordo com registos do Governo, documentos judiciais e extratos bancários, ao longo de 14 meses, a CEFC China Energy pagou 4,8 milhões de dólares a entidades controladas por Hunter Biden e o tio. O Washington Post não encontrou, no entanto, evidências de que Joe Biden tenha sido beneficiado pessoalmente ou tido conhecimento sobre os detalhes das transações com esta empresa chinesa. Transações essas que ocorreram antes de Biden anunciar as suas intenções de concorrer à Casa Branca, em 2020.

Outros e-mails incluem ainda evidências sobre o trabalho do filho de Joe Biden com a Burisma, uma empresa de energia ucraniana, da qual Hunter Viden era membro do conselho.

Como começou esta história?

Tudo terá começado em 2019 quando Hunter Biden, filho de Joe Biden, se deslocou a uma loja de informática e pediu a John Paul Mac Isaac para reparar o seu computador que teria sido danificado por água. De acordo com o advogado Brian Della Rocca, citado pelo The Washington Post, Mac Isaac terá tentado entrar em contacto repetidamente com Hunter Biden, que havia assinado uma autorização de reparo, para avisá-lo de que o computador estava pronto para ser levantado. Hunter nunca respondeu e, por isso, Mac Isaac passou a considerar o computador como uma propriedade abandonada.

Quando os negócios de Hunter Biden com a Ucrânia começaram a ganhar atenção, Mac Isaac entrou em contacto com o FBI sobre o computador que o filho do presidente dos EUA nunca tinha ido buscar.

Em dezembro de 2019, antes de entregar o computador ao FBI, Mac Isacc terá feito uma cópia do disco rígido "por precaução". Já em agosto de 2020, entrou em contacto com Rudy Giuliani (antigo advogado de Trump) para informar que tinha cópias do disco rígido do computador de Hunter Biden.

"Para minha proteção, fiz várias cópias e tenho tentado, discretamente, chamar a atenção das pessoas. Estou a entrar em contacto consigo para obter assistência e garantir que as pessoas que precisam saber disto, o façam", disse, citado pelo The Washington Post.

Em outubro de 2020, com base nos dados fornecidos por Rudy Giuliani, o The New York Post começou a publicar relatórios sobre o conteúdo do computador de Hunter Biden. Depois de pedidos rejeitados ou ignorados, em 2021, o The Washinton Post também teve acesso às cópias do disco rígido.

Em resposta, Mac Isaac referiu, em comunicado citado pelo The Washington Post, que "finalmente, 18 meses após ser perseguido e atacado, está aliviado pelo facto do resto do país ter começado a abrir os olhos".

Nas análises feitas pelo The Washington Post, foram ainda descobertas evidências de que outras pessoas, além de Hunter Biden, tiveram acesso aos documentos do computador antes e depois do The New York Post ter publicado as primeiras histórias, bem como depois de o computador ter sido entregue ao FBI.

Os especialistas contactados pelo The Washington e que analisaram o conteúdo dos e-mails não encontraram evidências de que tenham sido manipulados por hackers, mas também não descartaram essa possibilidade.

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