Manifestações saem à rua em França em homenagem ao professor decapitado

"Contra o horror, a mobilização". Manifestações estão previstas este domingo em todo o território francês em homenagem ao professor Samuel Paty, decapitado na passada sexta-feira por ter mostrado aos seus alunos caricaturas de Maomé. Até agora, onze pessoas foram detidas.

Na passada sexta-feira à tarde, um professor foi decapitado na rua, durante o trajeto que o levava do colégio onde lecionava ao seu domicílio. Samuel Paty tinha 47 anos e era professor de história e geografia no colégio de Bois d"Aulne em Conflans-Sainte-Honorine, em região parisiense.

O ato foi rapidamente qualificado de terrorista islâmico e a investigação que se seguiu foi ao encontro dos responsáveis pelo crime. O agressor, morto por nove balas pela polícia, tinha assumido a responsabilidade do seu ato em defesa do Islão. Tinha 18 anos, era checheno, nascido em Moscou, e encontrava-se refugiado na França com a sua família.

Este atentado ocorre três semanas depois de um ataque em frente à antiga redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris, durante o processo dos atentados de janeiro de 2015. A França encontra-se num contexto de «alto nível de ameaça terrorista », recorda o procurador nacional anti-terrorista Jean-François Ricard.

Este novo ataque islâmico provocou uma onda de choque no país. Centenas de pessoas reuniram-se em Nice ou Rennes para denunciar o ato de «barbárie» e defender os «valores da democracia».

Em Conflans-Sainte-Honorine, onde decorreu o ataque, 1000 pais, funcionários eleitos e cidadãos comuns de todas as gerações reuniram-se emocionados na tarde de sábado em frente ao colégio Bois d'Aulne, onde Samuel Paty trabalhava. Muitos deles exibiam cartazes onde escrito estava «sou professor ».

«Pela primeira vez, um professor é atacado por ensinar», testemunhou Lionel, um professor de história e geografia da cidade vizinha, garantindo que «para os professores, vai haver um pré e um pós-16 de outubro».

Os líderes dos principais partidos políticos, associações e sindicatos manifestam-se esta tarde em Paris. Muitas outras cidades anunciam manifestações, como Lyon, Toulouse, Estrasburgo, Nantes, Marselha, Lille e Bordéus.

O Ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, e a Ministra Delegada para a Cidadania, Marlène Schiappa, anunciaram que representariam o Governo francês «em apoio aos professores, à laicidade, à liberdade de expressão e contra o terrorismo islâmico».

O jornal Charlie Hebdo também respondeu ao apelo da capital e manifesta-se esta tarde em Place de la République, tradicional local de manifestações em Paris, que foi o epicentro da manifestação do dia 11 de janeiro de 2015 após os atentados Charlie Hebdo, que reuniu cerca de 1,5 milhão de manifestantes.

Onze suspeitos estão atualmente detidos no contexto deste atentado, manifestações este domingo estão previstas em todo o território nacional e um conselho de defesa, presidido por Emmanuel Macron, vai reunir-se às 17h para debater o estado da ameaça islâmica.

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