Mariupol denuncia que maternidade foi evacuada à força para a Rússia

Mais de 70 utentes e médicos terão sido levados "contra a sua vontade" para território russo.

O município de Mariupol denunciou, esta quarta-feira, a evacuação forçada para a Rússia de uma maternidade nesta cidade sitiada no sudeste da Ucrânia, onde outro hospital tinha sido bombardeado pelos russos, a 9 de março.

"Mais de 70 pessoas, mulheres e pessoal médico, foram levados à força pelos ocupantes da maternidade n.º 2 no distrito", informou o município na rede social Telegram.

No total, mais de 20 mil moradores de Mariupol foram retirados "contra a sua vontade" para a Rússia, segundo o município, que afirma que os russos confiscaram os seus documentos e os redirecionaram "para cidades russas distantes".

Outra maternidade e um hospital pediátrico de Mariupol foram atingidos por um bombardeamento a 9 de março, causando a indignação da comunidade internacional. Pelo menos três pessoas, incluindo uma criança, morreram neste ataque.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, justificou o bombardeamento assegurando que a construção dessa maternidade servia de base a um batalhão nacionalista ucraniano.

"Esta maternidade foi tomada há muito tempo pelo batalhão Azov e outros radicais, e todas as parturientes, todas as enfermeiras e todo o pessoal de apoio foram expulsos", disse.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na terça-feira que os ataques russos a Mariupol foram "um crime contra a humanidade".

As condições para o lançamento de uma operação humanitária nos próximos dias para ajudar os habitantes de Mariupol "não estão cumpridas nesta fase", anunciou também a presidência francesa na noite de terça-feira, após um encontro entre os presidentes Emmanuel Macron e Vladimir Putin.

Cerca de 160.000 civis ainda estão presos em Mariupol, que tem sido palco de bombardeamentos e combates ferozes e enfrentando "uma catástrofe humanitária", vivendo escondidos em abrigos sem eletricidade e sem comida e água, segundo depoimentos recolhidos pela AFP junto de pessoas que fugiram de Mariupol.

A Rússia lançou, a 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.179 civis, incluindo 104 crianças, e feriu 1.860, entre os quais 134 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,9 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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