Até metade das árvores selvagens do planeta podem estar em risco de extinção

Em Portugal, o mocano, que só existe na Madeira, o cedro-da-madeira, o buxo-da-rocha, o loureiro-de-portugal e o marmulano são as que mais causam preocupação.

Metade das espécies de árvores selvagens no mundo está em risco de extinção. O alerta é de um relatório de uma das mais importantes organizações não-governamentais de botânica.

Portugal não fica mal na fotografia, mas ainda assim tem uma espécie em risco crítico. O mocano, na designação comum, só existe na Madeira e, se nada for feito, vai acabar por desaparecer completamente. É uma espécie endémica, e hoje muito rara, depois de ser declarada extinta nas Canárias. Os especialistas da Botanic Gardens Conservation International dizem que está em risco crítico.

Esta é uma das mais de 100 espécies de árvores selvagens em Portugal, das quais nove estão sob ameaça, incluindo quatro que, para além do mocano, causam maior preocupação: o cedro-da-madeira, o buxo-da-rocha, o loureiro-de-portugal e o marmulano.

Paulo Lucas, da associação ambientalista Zero, considera que a ação do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas tem sido insuficiente em alguns casos, mas positiva noutros.

"É de louvar o trabalho do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas no sentido da tentativa de recuperação destas espécies, mas o mesmo não tem acontecido em relação ao carvalho de Monchique, que é uma espécie que está criticamente em perigo de extinção, em Portugal", refere, acrescentando que "esta espécie está cada vez mais em declínio e necessita de medidas de conservação urgentes".

Já o cenário global é muito mais sombrio. O estudo feito ao longo de cinco anos sobre as quase 60 mil espécies que existem no planeta conclui que um terço está à beira da extinção, valor que os cientistas admitem que possa ser maior, atingindo metade do total. Apenas 40% são dadas como seguras.

O Brasil - lar da Amazónia, a floresta mais diversa do planeta - tem o maior número de espécies de árvores ameaçadas. São quase 1800, incluindo o mogno de folhas grandes, o pau-rosa e a família que inclui as pitangas.

O problema é global e por isso precisa de uma solução também global. Paulo Lucas defende a criação de um "mecanismo a nível global que permita que os países que mais biodiversidade têm possam proteger as suas florestas e gerar rendimentos para que as suas populações se possam manter, sem pressionar esses ecossistemas".

As principais ameaças às árvores são a desflorestação por causa da agricultura, a exploração para a produção de madeira e a proliferação de pragas e doenças. Os cientistas avisam também que as alterações climáticas estão a ter um impacto claro. O estudo pede, por isso, uma ação urgente para evitar o colapso do ecossistema.

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