México põe à prova presidente López Obrador

Os mexicanos elegem este domingo novos deputados. Estas eleições são consideradas um teste à governação do presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO). O Movimento de Regeneração Nacional (Morena), partido no poder, lidera as sondagens com 42% da intenção de voto.

As eleições deste domingo são as maiores da história do México. No total, 94 milhões de eleitores elegem 20.500 cargos políticos, entre deputados do Congresso, governadores de alguns Estados, legisladores locais e autarcas. As últimas sondagens apontavam uma provável vitória expressiva do Morena, partido do atual presidente mexicano, López Obrador, com 42% dos votos para a Câmara de Deputados e pelo menos oito governadores.

Esta tendência não é uma surpresa para ninguém. Para fazer face ao Morena, as três principais forças da oposição formaram uma coligação inédita. Em conjunto, PRI, PAN e PRD poderão tirar aos morenistas a maioria na Câmara de Deputados, mas não a sua influência. O capital político que os três aliados trazem às costas é pesado. As acusações de corrupção generalizada do anterior governo priista ainda hoje minam a credibilidade do partido. Os panistas, por seu lado, são vistos por muitos como os responsáveis pela onda de violência que o país vive desde 2006, quando o presidente Felipe Calderón, eleito pelo PAN, decidiu militarizar o país para combater o narcotráfico. E o PRD é uma sombra de si próprio, desde que López Obrador o abandonou, em 2012, para formar o Morena.

AMLO sabe que estas eleições serão um teste à governação dos últimos três anos. Ainda assim, parece não ter a cabeça a prémio. A meio do seu mandato, o presidente mexicano goza de um nível de aprovação de 60% que supera, até, os expressivos 53% de votos que o elegeram em 2018.

Apesar das críticas à forma como liderou o combate à Covid-19, principalmente no início da pandemia, os analistas coincidem que a alta aprovação de López Obrador deve-se precisamente à estratégia de vacinação contra o coronavírus. Os múltiplos acordos que o governo mexicano fez com farmacêuticas e governos colocam o México entre os dez países do mundo com mais vacinas aplicadas, ainda que isso represente apenas 10,6% da população com o esquema completo de vacinação.

As políticas sociais que o governo de López Obrador tem impulsionado nos últimos anos, e o confronto constante com grupos económicos, mediáticos e institucionais que associa a interesses obscuros "dos regimes corruptos passados", fazem de AMLO uma espécie de Dom Quixote entre as populações mais vulneráveis. Esta grande maioria parece imune às críticas dos opositores, que o acusam de ser um ditador populista que quer suprimir a liberdade de expressão e acabar com as instituições que são um contrapeso natural ao poder.

O que estas eleições demonstram, uma vez mais, é que AMLO está acima do próprio Morena, e que é este quem mais ganha com a colagem ao presidente mexicano. Nos últimos anos, o partido acolheu figuras grandes da oposição, que encontraram aí a oportunidade de ouro para assumir cargos relevantes. Este oportunismo político causa dúvidas entre muitos apoiantes de López Obrador. O próprio Presidente já avisou: se o Morena se converter num "ninho de ratos", abandona-o sem hesitar.

Durante a campanha, nem o partido favorito para ganhar estas eleições ficou fora de polémicas. Alguns dos candidatos morenistas foram, por exemplo, acusados de violência doméstica. Um episódio mais de uma campanha marcada por uma violência que já é recorrente nos processos eleitorais no país. Nos últimos meses, pelo menos 35 candidatos a cargos locais foram assassinados, provavelmente pelo crime organizado, numa tentativa de influenciar os resultados nos territórios onde atuam.

As denúncias de compra de voto pelos partidos da oposição, sobretudo, foram também uma constante. As ameaças de impugnação de resultados podem causar um impasse em vários círculos eleitorais.

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