PP arrasa em Madrid e Iglesias abandona a política
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PP arrasa em Madrid e Iglesias abandona a política

O líder do Podemos deixa todos os cargos depois de não ter ido além dos 10 deputados na Comunidade de Madrid.

Foi uma vitória incontestável do Partido Popular em Madrid que marca um ponto de viragem na política espanhola com o abandono de Pablo Iglesias. Minutos depois do fecho da contagem que ditou a vitória de Isabel Díaz Ayuso por 45% dos votos e 65 deputados, o líder do Podemos anunciou que deixa a política definitivamente.

"Deixo todos os meus cargos. Deixo a política, entendida como política de partido e política institucional. Vou continuar a estar comprometido com o meu país mas não vou ser um tampão numa renovação de liderança que tem de se produzir na nossa força política", disse aos seus militantes no final da noite.

Díaz Ayuso conseguiu uma vitória a roçar a maioria absoluta e o líder do Podemos, que já tinha abandonado a vice-presidência do Governo para ser candidato em Madrid, abandona a política definitivamente.

Iglesias considerou que a alta participação destas eleições - mais de 76% - e a vitória da direita significa que a sua figura se transformou num problema e não numa solução. "O êxito eleitoral da direita "trumpista" em Madrid é uma tragédia para a saúde, a educação e os serviços públicos. E eu transformei-me no bode expiatório que mobiliza os afetos mais escuros, mais contrários à democracia, mais contrários aos serviços públicos", analisou.

"Hoje em dia não contribuo para somar. Não sou uma figura política que pode contribuir para que a nossa formação ganhe peso institucional em Madrid", explicou.

Abre-se agora um processo de renovação no Podemos, algo que Pablo Iglesias já tinha adiantado quando abandonou o Governo. Yolanda Díaz, a atual ministra do Trabalho e herdeira de Iglesias na vice presidência do Governo é a candidata mais provável à liderança do Podemos.

A esquerda teve uma derrota muito pesada nestas eleições. O Podemos somou apenas 10 deputados, mais três que nas anteriores eleições, e o PSOE teve o pior resultado de sempre com 24 deputados depois dos 37 conseguidos em 2019. O único resultado positivo do lado da esquerda foi o Mais Madrid que passou dos 20 para os 24 deputados, com mais votos que o PSOE.

Vitória folgada

Os resultados confirmaram o que as sondagens foram dizendo ao longo de toda a campanha e o Partido Popular, não só ganhou as eleições como também duplicou os deputados que tinha conseguido em 2019. Isabel Díaz Ayuso ficou a 4 deputados da tão ambicionada maioria absoluta mas conseguiu somar mais deputados do que toda a esquerda junta, que não foi além dos 58 deputados.

Na hora da vitória os líderes do PP quiseram analisar os resultados no plano nacional. Pablo Casado falou aos votantes que se juntaram na sede dos populares para lhes dizer que o resultado de Madrid foi "uma moção de censura" ao Governo de Pedro Sánchez.

"Nestas eleições escolheu-se uma forma de fazer política, uma forma de fazer gestão. Hoje, Madrid fez uma moção de censura democrática ao "Sanchismo". Hoje Madrid é o quilómetro zero da mudança. Podemos ganhar a Sánchez, Hoje a Liberdade ganhou em Madrid mas amanhã vai fazê-lo em toda a Espanha", disse o presidente do PP.

Com estes resultados o PP não depende de forma estrita do Vox. A abstenção do partido de extrema direita seria suficiente para a investidura de Díaz Ayuso e, apesar dos 13 deputados conseguidos, não é de esperar que o Vox faça parte do Governo regional.

O outro destaque da noite foi para o resultado do Ciudadanos, que desaparece da Assembleia de Madrid. O partido liberal não conseguiu o mínimo de 5% e ficou sem representação.

Ponto de viragem

Com esta vitória, o PP vê as urnas apoiarem a sua estratégia política em Madrid, que, desde o início da pandemia, optou por uma estratégia de confronto direto com o Governo nacional, fazendo muitas vezes o papel de oposição.

Madrid foi a única Comunidade que permaneceu aberta à circulação quando todas as demais impunham restrições à mobilidade; a única que manteve os bares e restaurantes abertos, apesar de ter a taxa de incidência mais alta durante vários meses, e a que chegou a recorrer das decisões do Governo central nos tribunais.

A campanha, feita à volta do lema "comunismo ou liberdade", polarizou o eleitorado e conseguiu uma participação nunca antes vista na região, desmentindo a ideia de que a esquerda se beneficia de uma participação elevada.

A primeira vítima destas eleições foi Pablo Iglesias, que no espaço de um mês passa de ser vice-presidente do Governo a abandonar a política. O Ciudadanos desaparece da Comunidade de Madrid e coloca o partido nacional numa posição onde a sobrevivência é cada vez mais complicada. Nada será igual depois destas eleições.

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