"O vírus contaminou a democracia." Autárquicas francesas assombradas pela Covid-19

Em plena crise epidémica, França foi a votos com níveis de abstenção históricos.

A primeira volta das eleições autárquicas fica marcada por uma abstenção histórica de 55%, num país confinado pela epidemia Covid-19. Esta segunda-feira os resultados do escrutínio são eclipsados pela crise sanitária que, segundo o último balanço regista 127 mortos, 5 423 pessoas contaminadas e 300 doentes em estado grave.

"O vírus contaminou a democracia", escrevem os jornais franceses esta segunda-feira. "O cheiro de gel álcool ajudava, as mesas de voto pareciam salas de esperam à qual todos queria escapar rapidamente", escreve em editorial o La voix du nord. O conservador Le Figaro titula "grande mal-estar". "A democracia de quarentena, mascaras nas cabines de voto, o 15 de março ficara na memória como um domingo obscuro na história eleitoral" descreve ainda o comunista L"Humanité.

Os ecologias os verdes conseguiram furara nos resultados, nomeadamente em Strasbourg, Bordeaux, Lyon, Besançon et Grenoble. A extrema-direita de Marine Le Pen voltou a repetir os resultados de 2014 e conquista Perpignan.

O Partido Socialista mantém-se em Paris com a atual presidente da câmara Anna Hidalgo. A cabeça de lista d"Os Republicanos em Paris, Rachida Dati, reagiu aos resultados e denuncia uma eleição "enviesada", atribuindo responsabilidades ao primeiro-ministro Édouard Philippe que anunciou, no sábado à noite, o fecho de estabelecimentos públicos não vitais para a vida do país. Rachida Data apela ao governo a tomar "uma decisão rapidamente e de forma clara" quanto à segunda volta das eleições.

Os Republicanos que tinham triunfado em 2014, antes de colapsar em 2017, conseguiram manter o número de autarcas. A câmara municipal no Havre foi conquistado pelo primeiro ministro Édouard Philippe e em Tourcoing a vitória foi do ministro das Contas Públicas Gérald Darmanin, resultados que confirmam um abrandamento do partido de Emmanuel Macron, A República Em Marcha.

Apesar das medidas sanitárias aplicadas nas assembleias de voto, a participação na primeira volta rondou os 45%. Um recorde de abstenção histórica em França, 55%, que alimenta incógnitas quanto à manutenção da segunda volta no próximo domingo. Tanto eleitos e eleitores pedem o adiamento.

Durante o fim de semana, o executivo tentou convencer os eleitores que a democracia seria mais forte do que o Covid-19. No domingo ao meio-dia, Emmanuel Macron justificou a manutenção do escrutínio em nome "a vida democrática do país". "É importante votar num momento como este", declarou, depois de votar em Touquet (Pas-de-Calais). O Presidente francês voltou a lembras aos eleitores da importância em seguir as normas de prevenção do vírus.

Não existe participação mínima para validar o escrutínio. Em contrapartida, caso a segunda volta das eleições - previstas para o próximo domingo - seja adiada as eleições de hoje ficam sem efeito.

Neste contexto, o primeiro-ministro anunciou ontem, no Havre, que o Conselho Científico, que já validara a primeira volta, se voltaria a reunir entre hoje e amanhā para obter "um consenso republicano" quanto à manutenção das eleições.

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