Pandemia de Covid-19 ameaça agravar tensões entre Estados Unidos e China

Trump e Pompeo referem-se ao novo coronavírus como o "vírus de Wuhan" ou "vírus chinês". A China acusa as forças armadas norteamericanas de "plantarem" o vírus no país.

A pandemia da Covid-19 ameaça deteriorar ainda mais as relações entre os Estados Unidos e a China, que travam já uma guerra comercial e tecnológica, com os dois lados a trocarem acusações.

Desde que o surto do novo coronavírus se alastrou, o Presidente e o secretário de Estado norte-americanos, Donald Trump e Mike Pompeo, respetivamente, intensificaram as críticas à China, e observaram, persistentemente, que o surto teve origem na cidade chinesa de Wuhan, no final de 2019.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde ter designado o novo coronavírus de SARS-CoV-2, Trump e Pompeo passaram a referir-se ao "vírus de Wuhan" ou "vírus chinês".

Entretanto, a China anunciou esta quarta-feira a expulsão de vários jornalistas norte-americanos.

Na terça-feira, em conferência de imprensa, Pompeo referiu-se por seis vezes ao coronavírus como o "vírus de Wuhan" e sugeriu que o regime chinês está a tentar desviar o mundo das deficiências na resposta inicial ao surto.

"Os chineses cometeram alguns erros grosseiros nas primeiras seis ou sete semanas e depois submeteram o país a quarentena total", considerou o diretor do Centro Global de Políticas de Saúde do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais J. Stephen Morrison, citado pela agência Associated Press.

"Eles agora controlam a narrativa, afirmando que foram extremamente bem-sucedidos, e suprimem qualquer pensamento dissidente sobre o que aconteceu", defendeu.

Numa reunião com empresários de hotéis, Trump fez questão de sublinhar a origem do vírus, perguntando ao responsável da cadeia Marriott, Arne Sorenson, onde é que sentiu o impacto pela primeira vez.

"Tudo isto começou na China, certo? Foi lá que viu o problema e sofreu as consequências inicialmente", questionou Trump, ao que Sorenson respondeu: "Absolutamente". "Espero que todos vocês tenham ouvido isso", disse Trump aos jornalistas presentes.

Depois da guerra comercial lançada por Trump ou pela campanha de Pompeo contra o grupo chinês de telecomunicações Huawei e a condenação da repressão contra minorias étnicas religiosas de origem muçulmana no oeste do país, o regime chinês recorreu a teorias da conspiração para defender que o vírus foi introduzido no país por militares norte-americanos.

"As forças armadas dos Estados Unidos podem ter levado a epidemia para Wuhan", defendeu, no fim de semana, o porta-voz da diplomacia chinesa Zhao Lijian, através da rede social Twitter, bloqueada na China. "Os Estados Unidos devem-nos uma explicação", frisou.

Para apoiar as suas suspeitas, Zhao citou dois artigos da Global Research, um portal conhecido pelas teorias da conspiração.

"A China difundiu informações falsas de que os nossos militares levaram para lá o vírus", reagiu Trump.

"Isso é falso e, em vez de entrar em discussões, eu vou passar a chamar o vírus pelo local de origem. Veio da China. Acho que é um termo muito preciso. E não, eu não gostei de ver a China a culpar os nossos militares", acrescentou.

Logo após os comentários de Trump, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês anunciou a expulsão dos jornalistas norte-americanos do New York Times, do Wall Street Journal e do Washington Post.

A China disse que a medida constitui uma retaliação à designação pelo Governo de Trump de cinco órgãos de comunicação chineses como missões estrangeiras, o que acarretou restrições no número de funcionários chineses dessas organizações nos EUA.

"A China é obrigada a responder à opressão irracional sobre os órgãos de imprensa chineses nos EUA", justificou o Ministério.

Pompeo lamentou a decisão da China de "reduzir ainda mais a capacidade do mundo de obter informação livre que, francamente, seria muito boa para o povo chinês nestes tempos incrivelmente desafiadores".

"Mais informação e mais transparência servem agora para salvar vidas. Espero que eles reconsiderem", apontou.

Washington definiu a China como a sua "principal ameaça", apostando nos últimos anos numa estratégia de contenção das ambições chinesas que ameaça bipolarizar o cenário internacional.

A guerra comercial entre as duas maiores economias mundiais levou Washington a aumentar as taxas alfandegárias sobre 250 mil milhões de dólares de bens chineses, para conter as ambições tecnológicas e geopolíticas de Pequim.

A marinha norte-americana reforçou as patrulhas no Mar do Sul da China, reclamado quase na totalidade por Pequim, apesar dos protestos dos países vizinhos, ao mesmo tempo que Washington tem intensificado os laços com Taiwan contra a vontade da China, que considera a ilha parte do seu território.

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