Suécia vai julgar homem acusado de massacre nas prisões iranianas

O ministério publico conseguiu invocar o princípio de jurisdição universal de crimes graves para poder fazer a acusação. O massacre causou a morte a cerca de 5 mil pessoas.

Em 1988, quando o Irão estava em guerra com o Iraque, o Ayatollah Khomeini mandou executar todos os prisioneiros ligado a um grupo da oposição aliado de Bagdad. Em agosto sem qualquer aviso, as autoridades prisionais suspenderam todas as visitas de familiares aos detidos e foram retiradas todas as televisões e rádios que existiam nas enfermarias.

Os prisioneiros foram repentinamente proibidos de se exercitar ou visitar a clínica da prisão. Milhares de presos foram conduzidos, um a um, a uma sala especial nas cadeias, onde foram realizados "novos" julgamentos sumários.

Segundo a Amnistia Internacional muitos dos presos pensaram que iam ser perdoados e soltos já que a maioria estava perto do fim das sentenças mas a verdade é que foram executados. Acredita-se que entre 4.500 e 5.000 homens, mulheres e crianças foram mortos no verão de 1988 em prisões por todo o Irão. Uma tarefa que durou vários meses.

O suspeito, detido há dois anos em Estocolmo, não foi identificado pelas autoridades suecas, mas a BBC diz que se trata de Hamid Nouri de 60 anos.

Segundo a acusação sueca ele trabalhava, na altura, numa cadeia perto de Teerão. É acusado de ter executado prisioneiros, mas também de os torturar. Hamid Nouri é acusado de assassinato, em vez de crimes contra a humanidade, porque essa moldura legal só surgiu na lei sueca em 2014.

Este caso voltou a estar em destaque depois da eleição de Ebrahim Raisi para a presidência do país. Ele foi um dos juízes responsáveis pelos "novos julgamentos" aos ativistas da oposição. O novo chefe de estado, que assume funções em agosto, tem negado sempre o papel que teve nas sentenças de morte, mas também disse que elas eram justificadas por causa de uma fatwa do Aiatola Khomeini.

Trinta e três anos depois do massacre as autoridades iranianas continuam a não querer falar do sucedido. O que aconteceu nas prisões nunca foi investigado e muitos dos envolvidos continuam a ocupar altos cargos na administração do país.

O movimento a que pertenciam os prisioneiros lutou ao lado do exército iraquiano entre 1980 e 1988. Por causa disso a maioria das execuções são classificadas como crimes de guerra.

O conflito, entre os dois países, terminou a 20 de agosto de 1988, mas as execuções continuaram.

O julgamento de Hamid Nouri começa no dia 10 de agosto e deve prolongar-se até abril do próximo ano.

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