Supremo Tribunal dos EUA revoga direito ao aborto que vigorava desde 1973

Juízes eliminam o direito que existia desde 1973. Agora, cada estado decidirá. Obama considera tratar-se de um "ataque às liberdades fundamentais de milhões americanos".

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América revogou esta sexta-feira o direito constitucional à interrupção voluntária da gravidez. Os juízes do Supremo norte-americano anularam o caso Roe v. Wade, um raro retrocesso numa decisão que vai mudar os direitos das mulheres na América.

A decisão, a favor da qual votaram seis juízes (três votaram contra), não torna a interrupção da gravidez ilegal, mas leva os Estados Unidos a voltar à situação que prevalecia antes de 1973, quando cada estado decidia autorizá-la ou não. Estando o país dividido, é provável que metade dos estados, sobretudo os mais conservadores e religiosos, decidam proibir o aborto a curto prazo.

"A Constituição não faz nenhuma referência ao aborto e nenhum dos seus artigos protege implicitamente esse direito", defendeu o juiz Samuel Alito, em nome da maioria. Nesse sentido, Roe vs. Wade "deve ser anulado. É hora de devolver a questão do aborto aos representantes eleitos pelo povo", aos eleitos locais, acrescentou.

A decisão é vista como uma vitória dos republicanos que se juntaram à frente do Congresso em clima de festa, onde também se concentram defensores do aborto a manifestar indignação.

Nancy Pelosi reagiu classificando a decisão como uma "bofetada" para as mulheres e um "insulto" ao seu direito de decidirem sobre o seu próprio corpo. Indignada, a presidente da Câmara dos Representantes assegurou que não vai deixar passar o "retrocesso" que representa retirar o direito ao aborto da Constituição.

"Este atentado contra o direito das mulheres vai ser a batalha dos democratas", disse, lembrando que a lei que vigorava há 50 anos representou um grande passo na democracia americana. "Esta decisão é cruel, é escandalosa e desanimadora", afirmou, visivelmente afetada pela decisão, segundo as agências internacionais.

O ex-presidente Barack Obama considera que a decisão de reverter um direito com quase 50 anos é um ataque "às liberdade fundamentais de milhões americanos". "O Supremo não só reverteu uma decisão com quase 50 anos, como relegou a decisão mais pessoal que uma pessoa pode tomar à boa vontade dos políticos e ideólogos, atacando as liberdades fundamentais de milhões de americanos", escreveu no Twitter.

Em apoio à decisão pronunciou-se o ex-vice-presidente republicano Mike Pence, congratulando-se por o Supremo Tribunal ter "atirado para o caixote do lixo" a lei do aborto.

"Ao remeter a questão do aborto para os Estados e para o povo, o Supremo Tribunal reparou um erro histórico", escreveu no Twitter Mike Pence, um cristão evangélico, que foi o braço direito de Donald Trump.

A Casa Branca anunciou, entretanto, que Joe Biden vai falar ao país às 17h30 (hora de Portugal).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de