Trinta anos da MINURSO. Frente Polisário responsabiliza ONU pelo impasse

Nos últimos meses a missão ficou marcada por escaramuças entre o exército marroquino e independentista na antiga colónia espanhola.

Passam esta quinta-feira 30 anos da MINURSO, a mais antiga missão das Nações Unidas para tentar manter a paz no Saara Ociental. O prometido referendo à autodeterminação parece cada vez mais longe.

Perante este cenário, o porta-voz da Frente Polisário, Mohamed Fadel, responsabiliza a ONU pelo impasse. Nos últimos meses a missão ficou marcada por escaramuças entre o exército marroquino e independentista na antiga colónia espanhola.

Para o dirigente, a violenta resposta de Marrocos à ocupação da passagem de Guerguerat justifica o regresso dos Polisários às armas e avisa que a paciência dos saarauís está a esgotar-se.

"O que exigimos é que se aplique o plano de paz que foi aprovado pelo conselho de segurança. Depois de 30 anos de paciência, à espera de um referendo que, segundo os textos das Nações Unidas, parece cada vez mais distante, não tínhamos outra opção. A resposta de Marrocos foi mais uma violação do cessar-fogo e autoriza-nos a regressar às hostilidades para reclamar o nosso direito e fazer as pressões que sejam necessárias", explicou à TSF Mohamed Fadel.

O acordo de paz, assinado em 1991, previa a realização de um referendo e estabelecia a MINURSO como administradora do território, mas a Frente Polisário acusa os quase 500 funcionários da ONU de cumplicidade com Marrocos.

"A gestão tem sido catastrófica. Converteram-se, e digo isto sem hesitar, em apêndices do Ministério do Interior marroquino. As violações dos direitos humanos acontecem diariamente debaixo no nariz das Nações Unidas e nunca houve qualquer denúncia", aponta o porta-voz da Frente Polisário.

O papel de António Guterres na independência de Timor alimentou as esperanças do Saara Ocidental, mas também o português defraudou as expectativas da Frente Polisário. O porta-voz acusa ainda a comunidade internacional de querer atirar o referendo para as calendas.

"Foram introduzidas nos últimos anos alterações aos documentos da ONU e do conselho de segurança que, de maneira furtiva, querem afastar a verdadeira responsabilidade da MINURSO, que é a sigla da missão das Nações Unidas para um referendo no Saara Ocidental. Fizeram tudo ao contrário, tudo para que o referendo não se realize", acrescentou Mohamed Fadel.

Apesar de tudo, Mohamed Fadel não fecha a porta a uma solução pacífica para o conflito. Há quase 200 mil saarauís a viver em campos de refugiados na Argélia e Mauritânia. O conflito entre Marrocos e a frente Polisário dura desde 1979.

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