Ucrânia rejeita acordo com a Rússia. Kiev só assina desbloqueio de cereais com Turquia e ONU

O conselheiro da Presidência ucraniana, Mikhaïlo Podoliak garantiu que "a Ucrânia não vai assinar nenhum documento com a Rússia".

A Ucrânia garantiu esta sexta-feira que só irá assinar um acordo para desbloquear as exportações de cereais com a ONU e a Turquia, indicando que a Rússia deverá assinar um acordo em paralelo e separado com os mesmos mediadores.

O esclarecimento de Kiev foi avançado por um conselheiro presidencial ucraniano, a poucos momentos da assinatura do acordo na cidade turca de Istambul. O mesmo representante também frisou que a Ucrânia rejeita ter escoltas russas aos seus navios ou representantes de Moscovo nos portos do país.

"A Ucrânia não vai assinar nenhum documento com a Rússia. Só assinamos um acordo e só assumimos compromissos com a Turquia e a ONU", afirmou o conselheiro da Presidência ucraniana, Mikhaïlo Podoliak, numa mensagem divulgada na rede social Twitter.

"A Rússia vai assinar um acordo-espelho separado com a Turquia e a ONU", sublinhou.

O acordo, que deverá ser assinado hoje às 14h30 (hora de Lisboa) no Palácio Dolmabahçe, na cidade turca de Istambul, deverá vigorar durante quatro meses e é renovável.

Segundo o que já se sabe que foi acordado, depois de dois meses de negociações, o documento vai criar um centro de controlo em Istambul, dirigido por representantes das partes envolvidas: um ucraniano, um russo, um turco e um representante da ONU, que deverão estabelecer o cronograma de rotação de navios no Mar Negro.

O acordo implica também que passe a ser feita uma inspeção dos navios que transportam os cereais para garantir que levam armas para a Ucrânia.

Estas inspeções, que serão realizadas tanto à saída como à chegada dos navios, deverão acontecer nos portos de Istambul.

No entanto, Mikhaïlo Podoliak alertou também que a Ucrânia não aceitará qualquer escolta de navios russos às suas exportações ou a presença de representantes de Moscovo nos seus portos, prometendo uma "resposta militar imediata" a qualquer "provocação" russa no final deste acordo.

"Todas as inspeções aos navios de transporte serão realizadas por grupos conjuntos em águas turcas, se necessário", referiu, pouco depois de ter sido anunciada a chegada da delegação ucraniana a Istambul, para a assinatura do acordo.

"A delegação ucraniana chefiada pelo ministro das Infraestruturas, Oleksandr Kubrakov, chegou a Istambul para negociar uma solução para a questão dos cereais", disse o ministério na rede Telegram.

A mensagem do ministério foi acompanhada por uma fotografia que mostra os membros da delegação a conversar com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

"O secretário-geral [das Nações Unidas] expressou, mais uma vez, o seu apoio ao desbloqueio dos portos ucranianos e garantiu que a segurança é uma prioridade para a ONU", adiantou o ministério ucraniano.

Este acordo é aguardado com ansiedade pela comunidade internacional, já que cerca de 25 milhões de toneladas de cereais estão bloqueadas nos portos ucranianos há quase cinco meses, devido à guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

Os dois países em conflito são os maiores produtores de cereais do mundo.

O porta-voz da Presidência russa (Kremlin), Dmitri Peskov, admitiu, esta sexta-feira de manhã, ser "muito importante" permitir a exportação dos cereais bloqueados nos portos ucranianos, confirmando que o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, estará em Istambul para assinar o acordo.

Peskov sublinhou ainda a importância de os cereais russos também conseguirem chegar aos mercados.

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