Um pouco por todo o mundo a democracia está doente

Um estudo baseado em quatro milhões de pessoas, que responderam a 3500 inquéritos, mostra que 58% estão descontentes com o sistema democrático.

O estudo vai ser divulgado esta tarde mas o Centro para o Futuro da Democracia, da Universidade de Cambridge, já revelou os dados globais.

Os inquéritos abrangeram 154 países e os valores da insatisfação são os maiores de sempre. Em meados da década de 90, cerca de metade da população não olhava com bons olhos para o sistema democrático. Em 25 anos esse número subiu para os 58%.

Quando os dados começaram a ser recolhidos, na década de 70, a satisfação com a democracia aumentava e isso aconteceu até ao final do século. Foi no período em que caiu o muro de Berlim e a União Soviética se desmembrou. Cada vez mais países adotavam o sistema democrático e o sentimento era de otimismo.

Na ultima década o pessimismo foi prevalente e a frustração aumentou. O estudo mostra que crise económica de 2008 e a chegada de milhares de refugiados e migrantes à Europa, em 2015, estarão relacionadas com as críticas dos cidadãos. O crescimento dos populistas é apontado como um sintoma e não como uma causa da queda da popularidade da democracia.

Neste momento a insatisfação é maior nos países mais desenvolvidos. Nos Estados Unidos até ao início do século a satisfação com o sistema andou sempre na ordem dos 75% mas nos últimos anos baixou para 50%. O pessimismo pode ser normal em alguns países mas os norte-americanos sempre tiveram uma visão muito positiva de si mesmos e por isso os números atuais mostram uma mudança profunda. Grandes democracias como a Austrália, Brasil, Espanha, Grécia, Japão e México estão muito próximo dos níveis mais altos de insatisfação.

Há, no entanto, alguns países europeus que seguem contra a corrente. Na Holanda, Noruega, Suíça e Dinamarca as pessoas estão cada vez mais satisfeitas com a democracia.

Um dos autores do estudo, Roberto Foa, do Departamento de Política e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge considera que "um pouco por todo o mundo a democracia está doente." Quando as instituições democráticas não conseguem dar resposta às crises que vão enfrentando, o descontentamento aumenta.

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